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sábado, 12 de janeiro de 2008

INSTITUTO DÁ AVAL A TESTE QUE DETECTA O HIV PELA SALIVA



Aprovado e comercializa-do nos EUA desde 2004, o teste rápido de detecção de HIV por via oral foi lançado dia 3/12/07 no Brasil, em evento científico no Rio. O exame usa amostras de saliva (fluido oral), o resultado sai em 20 minutos e é 99% confiável.
O teste recebeu aval do INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), mas ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O preço do teste no Brasil também não está definido-nos EUA, custa o equivalente a R$ 35.



O Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, informou que aguarda o registro do produto para avaliar a sua inclusão ou não no serviço público de saúde.

Assim como nos EUA, o teste oral, chamado OraQuick, não estará à venda nas farmácias brasileiras, segundo o fabricante OralSure Technologies. Será usado em centros de saúde, hospitais e laboratórios-sempre com presença de um técnico para interpretá-lo e de um serviço de aconselhamento.

Exame de sangue
O Brasil já dispõe de outros testes rápidos de HIV, que demoram em média 40 minutos para ficarem prontos, mas precisam de amostras de sangue - que demanda mais profissionais e material para a realização. Esses exames são empregados em serviços de triagem de emergência, como em mulheres em trabalho de parto que não passaram pelo exame no pré-natal.

Já o resultado dos testes tradicionais usados para detectar o HIV, disponíveis na rede pública, pode demorar de três a 40 dias (dependendo da região do país). Para especialistas, essa demora é um dos fatores que faz com que 30% das pessoas que se submetem ao teste não voltem para buscar o resultado.

O teste oral pode detectar anticorpos do HIV-1 e do HIV-2 e é fácil de ser aplicado. Basta passar uma palheta (parecida com um cotonete) na gengiva e, então, mergulhá-la numa solução líquida reveladora. Se o resultado for positivo, duas linhas vermelhas aparecerão. Os casos de resultados positivos deverão ser confirmados por outros exames tradicionais de sangue.

O fato de a saliva ser utilizada como meio de testagem não quer dizer que exista vírus na mesma. O teste verifica a existência de anticorpos do HIV. E anticorpos não são transmitidos para outra pessoa.

O novo teste Oraquick é mais prático por dispensar agulha, seringa, entre outros apetrechos, além de profissionais para a coleta, análise e interpretação dos dados e informação do resultado ao paciente. Nos EUA, o exame oral foi incluído em campanhas públicas de detecção do HIV.


(Texto adaptado)

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

FELIZ ANO NOVO!!!

Prezados Leitores,

O Blog “Saúde & Sexo” entrará em recesso até a 1ª semana de janeiro de 2008.

Logo depois retornaremos com mais informação sobre HIV, AIDS, HPV, IST, como combatê-los e como tratá-los; as novas descobertas da Medicina; novos estudos clínicos.

Nos vemos no próximo ano.

FELIZ 2008!!!

Equipe “Saúde & Sexo”

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

ESTUDO REVELA QUE AIDS CRESCE MAIS EM JOVENS, IDOSO E HOMOSSEXUAIS NO DISTRITO FEDERAL


Brasília - No Distrito federal, o avanço da aids e de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) é cada vez maior entre os jovens com idade entre 15 e 24 anos, idosos e homossexuais.Um estudo divulgado hoje (21) pela secretaria estadual de Saúde revela que, dentre os motivos de transmissão do vírus HIV, está o descuido nas relações sexuais. Ou seja, a falta de uso de preservativo. Praticamente um em cada três casos de aids notificados à secretaria ocorre por meio da transmissão sexual.“A gente observa que a informação pura e simples não leva a mudanças de comportamento. Ainda existe aquele pensamento mágico: 'é só uma vez [transar sem camisinha], não vai acontecer comigo", disse a gerente de DST-AIDS da secretaria, Diva Castelo Branco. "Por isso, precisamos investir mais em campanhas. Não só de massa, mas trabalhar em grupos específicos, empresas e escolas. Precisamos aumentar o número de multiplicadores de educação e saúde.Segundo ela, são registrados por ano 400 casos de aids e cerca de 5 mil casos de doenças sexualmente transmissíveis. Ela lembra que as DSTs aumentam em 18 vezes o risco de se adquirir o vírus da Aids.As regiões da Asa Norte, do Lago Norte e do Cruzeiro são as que registram mais ocorrências de aids entre os homens.
Fonte: Rádio Nacional da Amazônia
Reporter: Elaine Borges

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

HPV NA BOCA AUMENTA AS CHANCES DE CÂNCER

Apesar de já haver uma vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV), ainda não disponibilizada no sistema público de saúde brasileiro, e apesar de o vírus ser mais conhecido por sua relação com o câncer de colo de útero, cuidados e imunização devem ser considerados também por homens, já que estudos da Unifesp mostram intensa relação do HPV com o câncer de boca.

Uma pesquisa apresentada como tese de doutorado na Unifesp e publicada na edição deste mês de uma das mais conceituadas revistas sobre doenças da boca no mundo, a Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, mostra que o HPV está relacionado à maior parte dos casos de carcinoma espino-celular (CEC) da cavidade bucal.
De acordo com o autor da pesquisa, Carlos Eduardo Ribeiro da Silva, que é estomatologista do Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Unifesp e professor da Universidade Santo Amaro (Unisa), a mucosa da boca é muito semelhante às mucosas da vagina e do colo do útero, locais do corpo humano facilmente infectados pelo vírus durante as relações sexuais.
"Como a boca tem um papel na relação sexual tão importante quanto a região genital, é importante sabermos qual o vínculo entre a presença do vírus nesse local e as doenças malignas da boca, pois, quando diagnosticado precocemente, esse câncer é curável em 100% dos casos".
No estudo, que avaliou 60 amostras de mucosa da boca - sendo 50, de portadores do carcinoma já confirmados e, 10, de pacientes sem evidências clínicas de lesões (grupo controle), 37 dos portadores de câncer (74%) apresentaram resultado positivo para os papilomavírus oncogênicos, considerados os mais perigosos pela capacidade de desenvolverem tumores malignos.
No grupo controle, apenas uma das amostras (10%) foi positiva para o vírus. Entretanto, o tipo encontrado, nesse caso, não provoca câncer. A análise estatística apontou um risco 25,5 vezes maior de os portadores de HPV na cavidade oral desenvolverem câncer.
Silva, que é cirurgião dentista especializado em estomatologia (doenças da boca) alerta que a pessoa infectada por HPV e também o seu parceiro devem ser acompanhados periodicamente por meio de exames clínicos e complementares para o diagnóstico precoce e tratamento, se necessário.
Todos os participantes da pesquisa eram do sexo masculino, com mais de 40 anos, brancos e fumantes. Características presentes no grupo considerado, estatisticamente, como de maior incidência dos cânceres bucais, segundo o dados de 2002 do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

HPV: maioria das infecções é transitória

Os Papilomavírus humanos (HPV) são vírus capazes de produzir lesões de pele ou mucosa e a principal via de transmissão é a sexual. Apesar de menos comum, é possível se infectar por outras vias, como a sangüínea, pelo canal do parto, pelo beijo e até mesmo por objetos contaminados.
Grande parte das infecções, entretanto, são transitórias, pois o sistema imunológico produz anticorpos capazes de inibir a ação do vírus, eliminando-o, principalmente entre os indivíduos mais jovens.
Vários estudos no mundo apontam que 10% a 40% da população sexualmente ativa estão infectados por um ou mais subtipos de HPV e que esse índice varia entre 50% e 80% nas mulheres. Atualmente, já são descritos mais de 200 subtipos de HPV, mas somente os subtipos de alto risco (chamados de oncogênicos) estão relacionados a tumores malignos, como no caso de câncer de colo de útero.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam que a prevalência de HPV nos casos de câncer de colo uterino no país seja de 94%.
Fonte: Yahoo Notícias / BR Press

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

NELSON MANDELA PROPÕE SHOW CONTRA A AIDS NO RIO DE JANEIRO, INFORMA JORNAL ‘FOLHA DE S. PAULO’


De acordo com o jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira (12/12), a cidade do Rio de Janeiro vai “sediar a edição de 2008 do ‘46664 World Aids Concert’, megashow organizado pelo ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, para captar recursos para programas de combate à Aids.” Ainda de acordo com o diário paulista, o anúncio teria sido feito, terça-feira (11/12), pela prefeitura da capital fluminense.





Abaixo, a nota na íntegra:

Mandela propõe show contra a Aids no Rio, diz prefeitura

O Rio vai sediar a edição de 2008 do "46664 World Aids Concert", megashow organizado pelo ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, para captar recursos para programas de combate à Aids. O anúncio foi feito ontem pela Prefeitura do Rio. Artistas como Bono, Annie Lennox e Elton John estão cotados para o evento, que aconteceria dia 30 de novembro de 2008 na praia de Copacabana, segundo a diretora de eventos da prefeitura, Ana Maria Maia. O concerto acontece desde 2003 para captar recursos para projetos de Mandela de prevenção à Aids na África do Sul. A edição deste ano do show aconteceu dia 1º de dezembro em Joanesburgo. O convite para o Rio sediar o evento veio do próprio Mandela, de acordo com Maia. Em janeiro, a prefeitura recebe os produtores para começar a discutir o evento, para o qual ainda busca o apoio de patrocinadores.

Sobre o Projeto


46664 (diz-se four, double six, six four - quatro, meia meia, meia quatro) foi o número de prisioneiro de Nelson Mandela quando ele esteve em Robben Island, na costa da Cidade do Cabo na África do Sul. Ele foi aprisionado em 1964, por 27 anos por liderar o movimento contra o apartheid (política segregacionista vigente na época) e por sua luta pelos direitos de todos viverem em liberdade. Ele era o prisioneiro número 466 do ano de 1964. Os prisioneiros de Robben Island jamais foram chamados por seus nomes mas por seus números e ano de aprisionamento - portanto 46664 era o número de Nelson Mandela, que agora dá nome a este projeto.


Veja o site do projeto, em Inglês: http://www.46664.com/

Colaborou: Ygor Dias Moura

Fontes: Folha de S. Paulo / http://www.46664.com/

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

PROGRAMAÇÃO DA TV

HOJE - 4 DE DEZEMBRO

21H30 - CANAL FUTURA - NET32

Sala de Notícias em Debate: AIDS - Classificação: Livre
Sinopse: Jornal temático que aprofunda e discute as notícias de grande exposição na mídia.
Hoje, especialistas vão traçar um panorama da AIDS no Brasil: embora o número de casos venha diminuindo no país, ele cresce nos estados mais pobres.
Opúblico pode participar pelo telefone (21) 2502-0022, ou escrevendo para debate@futura.org.br.
Também é possível responder à enquete "Qual é a melhor forma de diminuir o risco de Aids entre adolescentes?" pelo site http://www.futura.org.br


23h30 - CANAL GNT - NET

"A Era da Aids" (The Age of Aids) - Classificação: 13 anos
Histórico completo da AIDS, desde seu surgimento até a situação atual da doença no mundo. Há 25 anos foram diagnosticados os primeiros casos de AIDS, nos Estados Unidos. Hoje 40 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus HIV.
O documentário inédito em 5 partes mostra comoa doença surgiu e se propagou.
O último capítulo, que irá ao ar no sábado, alerta para o fato de que ela está longe de ser erradicada. Houve filmagens em 19 países.

Fontes: Jornal O Globo / www.net.tv.br

domingo, 2 de dezembro de 2007

ATO INÉDITO NO CRISTO REDENTOR UNE GOVERNOS E RELIGIÕES NO DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS


Pela primeira vez, a principal ação do Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro) aconteceu no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Um ato solidário teve a participação de representantes de diversas matrizes religiosas, como judaico-cristãos, afro-brasileiros, indígenas e muçulmanos. Um laço vermelho de oito metros de altura foi colocado aos pés da estátua. O laço é o símbolo de solidariedade pelas pessoas afetadas pela epidemia, que hoje atinge 33,2 milhões, em todo o mundo. No Brasil, são 600 mil infectados pelo HIV.
Participaram da cerimônia o ministro da Saúde, José Gomes Temporão; e o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Oscar Scheid; e o deputado federal Chico D’Ângelo (PT-RJ), presidente da Frente Parlamentar de HIV e Aids, que será lançada no próximo dia 5/12. Também estiveram no Cristo representantes da sociedade civil e de pessoas que vivem com o HIV. Este ano, a campanha do Brasil para o Dia Mundial, lançada em 27 de novembro, tem como tema os jovens, com foco em mulheres e homens homossexuais e bissexuais. O slogan é “Sua atitude tem muita força na luta contra a aids”.
O ato foi organizado pelos governos Federal, Estadual e Municipal e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O Cristo Redentor, principal cartão-postal do Brasil, foi escolhido para o ato por ser reconhecido mundialmente e por simbolizar a paz. A cerimônia começou com as saudações do cardeal dom Eusébio Scheid, seguido de apresentação musical de crianças da Sociedade Viva Cazuza e da secretária estadual de Ação Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Benedita da Silva.
Líderes religiosos fizeram preces, representando diversos segmentos – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (presbiterianos, anglicanos, luteranos e ortodoxos), uma mãe de santo (religiões afro-brasileiras), um cacique indígena Guarani, mulçumanos e judeus. Também estiveram no local Kleber Fábio Mendes, 24 anos, e Thiago Victor Barbosa, 21. Kléber é de Curitiba e Thiago, de Belo Horizonte. Ambos têm o HIV desde os 16 anos. Para encerrar, os líderes religiosos deram a benção final.
Fonte: www.aids.gov.br

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

QUAL A SUA ATITUDE?






Em comemoração ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids, a cidade do Rio de Janeiro sedia uma série de eventos, tendo como os principais uma vigília na noite desta sexta-feira na região do Arcos da Lapa. Neste próximo sábado, o governo federal realiza um ato de solidariedade às pessoas com Aids, instalando um laço vermelho gigante no Cristo Redentor. Confira as principais atividades abaixo:



Programação

30 DE NOVEMBRO/1º DE DEZEMBRO



ARCOS DA LAPA

A partir das 18 horas

- Tendas com atividades variadas, distribuição de preservativos, brindes e material informativo sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e aids.
- Palco com teatro e rádio ao vivo do grupo Transformarte, hip-hop, e diversas atrações artísticas.
- Telão com exibição de filmes e depoimentos.
- Ação de grupos de ativistas e voluntários nas ruas, bares e outros locais de concentração pública da Lapa, distribuindo preservativos, brindes e informativo sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e aids.
- Equipe de vídeo colhendo depoimentos da população sobre a aids, que serão exibidos no telão junto aos Arcos da Lapa.
A partir das 23 horas
- Caminhada em direção aos Arcos da Lapa, para uma grande concentração na passagem para o dia 1º de Dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

1º DE DEZEMBRO

MONUMENTO DO CORCOVADO
Das 16 às 18 horas
- Instalação do Laço da Solidariedade e Celebração do Dia Mundial de Luta Contra a Aids no Santuário Cristo Redentor, manifestações artísticas e religiosas, além da presença de autoridades dos governos municipal, estadual e federal. Organizado pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Programas Estadual e Municipal de DST/Aids do Rio de Janeiro e Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Ato Público “Todos convivem com a Aids - 1 de Dezembro dia de Luta e de Solidariedade” , organizado pelo Grupo Pela Vidda/RJ, no calçadão do Posto 2 da Praia de Copacabana das 11h às 13h, no Rio de Janeiro.
Campos dos Goytacazes - Encontro na Praça São Salvador, manifestação e atividades artísticas.
São Gonçalo - Atividades em praças, com ONG, módulos de PSF e escolas.
Mendes - Atividades em escolas, unidades do Programa de Saúde da Família, grupos da 3ª Idade e empresas.
Cabo Frio - Tendas Informativas/Educativas em praças.
Engenheiro Pedreira - Trio Elétrico e tendas com exposição de material educativo, no centro da cidadeItaguaí - Campanha com fixação do Laço Vermelho, teatro, dança e distribuição de material educativo e preservativos, no Calçadão.
4 DE DEZEMBRO

Quissamã - I Seminário Municipal do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, com apresentação de várias escolas.


6 DE DEZEMBRO

8º Seminário de Prevenção, 6ª Oficina de Experiências, 3º Seminário Científico. Organização do Programa Municipal de DST/Aids do Rio de Janeiro


7 DE DEZEMBRO

Lançamento de materiais informativo-educativos sobre Aids e Drogas, produzidos pela área da Prevenção da Assessoria Estadual de DST/Aids, no Rio de Janeiro.

Fonte: Fórum de ONG/Aids do Rio de Janeiro
CAMPANHA 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

PESQUISA REVELA QUE PESSOAS NÃO CONSIDERAM A AIDS FATAL

NOVA IORQUE (Reuters Health) – Em uma pesquisa divulgada na terça-feira, 13, realizada em nove países, mais de 40% das pessoas entrevistadas não considera a Aids uma doença fatal. A pesquisa realizada pelo MAC AIDS Fund, um braço filantrópico da Mac Cosmetics, uma empresa do grupo Estée Lauder, envolveu 4.510 entrevistas conduzidas nos Estados Unidos, Rússia, França, China, Índia, México, BRASIL e África do Sul. A divulgação dos resultados coincide com um encontro da diretoria do Fundo e antecipa o Dia Mundial de Combate à Aids, 1° de dezembro. “A força da pesquisa consiste no seu foco exclusivo em questões relacionadas à Aids, a sua abrangência de cobrir nove países e o fato de que ela coloca perguntas francas e específicas numa época na qual precisamos de respostas francas e específicas para aumentar a eficácia de nossa resposta global à pandemia", declarou Nancy Mahon, diretora executiva do MAC AIDS Fund. Enquanto a maioria dos entrevistados acreditam que a Aids é sempre uma doença fatal, muitos acreditam erroneamente que existe uma cura disponível para a infecção pelo HIV. Por exemplo, 59% dos indianos acreditam que há cura para a doença. Na França, adultos mais velhos têm uma propensão maior que os mais jovens em acreditar na cura. Nos Estados Unidos, os afro-americanos acreditam mais na cura do que os brancos.“Da minha perspectiva, a descoberta geral mais importante é que nós não fizemos um trabalho bom o suficiente de informar as pessoas sobre o HIV – os fatos e a realidade”, afirmou a diretora dos programas de HIV/Aids da prefeitura de Oakland, Califórnia, Dra. Marsha Martin. “Quando as pessoas acreditam que a doença não é fatal e que há cura, é porque nós não as conscientizamos bem”, disse ela. Muitas pessoas também possuem conceitos equivocados sobre a disponibilidade dos tratamentos de Aids, segundo a pesquisa. Quase 50% dos entrevistados acham que a maioria dos pacientes infectados pelo HIV estava recebendo tratamento, quando, na realidade cerca de 1 em cada 5 pacientes recebem tratamento, de acordo com dados de 2006. No entanto, a escolaridade parece ajudar: no Reino Unido, pessoas com maior grau de escolaridade têm uma maior probabilidade em acreditar que a maioria das pessoas portadoras do HIV continuam sem tratamento, se comparadas àquelas que não fizeram um curso superior. Os resultados também destacam o preconceito, o medo e o estigma que cercam a Aids. Acima de tudo, quase metade dos entrevistados disse que se sentia incomodado em caminhar perto de uma pessoa infectada pelo HIV, 52% respondeu não querer viver na mesma casa com um soropositivo e 79% afirmou não querer se relacionar afetivamente com um portador do vírus. “A mensagem mais importante para aqueles que fornecem serviços é que eles têm que servir como modelo em suas interações com indivíduos que estão em risco de se infectar ou são infectados pelo HIV. Este é um longo caminho para reduzir o estigma”, ressaltou a presidente do Centro Internacional de Pesquisa sobre Mulheres, Dra. Geeta Rao Gupta. A questão de gênero e a dificuldade em discutir práticas de sexo seguro são as causas “chave” da pandemia, indica a pesquisa. Por exemplo, 73% dos entrevistados acredita que a proliferação do HIV é estimulada, em parte, por mulheres que não se sentem à vontade em discutir práticas de sexo seguro com seus parceiros. “Os resultados desta pesquisa, juntamente com o recente fracasso do mais promissor estudo de vacina contra a Aids, mostram que nós não iremos encontrar a cura ou uma vacina para esta pandemia tão cedo”, enfatizou Mahon. “Todos nós, particularmente na comunidade de financiadores, precisamos redobrar nossos esforços e recursos e focar em programas básicos e eficazes de prevenção que contemplem as diferenças de gênero, raça e idade de uma maneira culturalmente competente”, acrescentou. (por Anthony J. Brown, médico)
Fonte: Agência Reuters, Reino Unido

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Alimentação de bebês de mães com aids gera debate

do The New York Times

Às vezes a experiência demonstra que soluções aparentemente lógicas para um problema de saúde não são tão simples quanto parecem a princípio. Um exemplo é a campanha para encorajar o uso de leite em pó, em lugar de amamentação, para alimentar bebês, com o objetivo de impedir a transmissão do vírus causador da aids da mãe para a criança.» Entenda como a doença é transmitida Na 14ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, que aconteceu em Fevereiro deste ano em Los Angeles, os cientistas mencionaram conclusões de diversos estudos que apontam o perigo do uso de leite em pó nos países pobres, o que representa séria contestação às recomendações atuais. Essas constatações levaram participantes do evento a instar os pesquisadores a descobrir maneiras mais seguras de amamentar bebês ou alimentá-los com leite em pó, na batalha para deter a pandemia da aids. Com base em estudos anteriores, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia anunciado que o uso exclusivo da amamentação acarreta risco menor de transmitir o HIV do que amamentação combinada a outros fluidos ou alimentos. Em uma posição de consenso divulgada em outubro de 2006, uma agência da ONU recomendava que as mulheres infectadas recorressem exclusivamente à amamentação nos seis primeiros meses de vida do bebê, a menos que fontes substitutas de alimentação, como leite de vaca, fossem aceitáveis, viáveis, acessíveis, sustentáveis e seguras tanto para a mãe quanto para a criança antes do final do período de seis meses. A decisão da mãe deveria se basear nas circunstâncias de sua vida. Muitos governos de países pobres adotaram essa diretriz, e alguns até encorajaram as mães infectadas a suspender a amamentação antes que o bebê chegasse aos seis meses, em um esforço por reduzir o risco de transmitir o HIV às crianças. Mas quatro novos estudos conduzidos na África e divulgados na conferência demonstraram que pode haver riscos significativos para esses bebês alimentados com leite em pó. Três estudos constataram que muitos bebês não infectados que foram alimentados exclusivamente por amamentação durante os primeiros seis meses de vida, e depois passaram a receber alimentos de outra maneira, registravam índices mais elevados de diarréia severa, que pode resultar em hospitalização ou morte. Um quarto estudo localizou uma epidemia de diarréia e má nutrição entre crianças pequenas depois de uma inundação em Botsuana, no ano passado. Devido à contaminação da água e do meio ambiente pelo esgoto, as mortes por diarréia naquele país do sul da África aumentaram em 25 vezes com relação ao passado recente. A conexão entre o surto e o uso do leite em pó só foi localizada devido a um detalhado estudo epidemiológico. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças norte-americano, em Atlanta, pagou pelos quatro estudos. A ONU estima que 300 mil bebês morram de aids a cada ano depois de serem infectados ao receberem leite materno. A Unicef, por sua vez, estima que 1,5 milhão de bebês morram por ano porque suas mães escolheram não amamentá-los. Impedir infecções pelo HIV pode ser a maneira definitiva de evitar essa questão. Mas, para as crianças em situação de risco, os dirigentes de serviços de saúde precisam oferecer terapia de combate a retrovírus, tanto para as mães quanto para os bebês, e os cientistas precisam determinar se uma vacina que está em testes no momento entre as crianças da África é capaz de reduzir o risco de que sejam contaminadas com o HIV por mães infectadas.
The New York Times Terça-Feira , 27 de fevereiro de 2007