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quinta-feira, 24 de julho de 2008

NÚMERO DE JOVENS GAYS MASCULINOS COM HIV CRESCE 70,5%

Entre a população de 13 a 19 anos, há 10 mulheres infectadas para cada 6 rapazes portadores de HIV

O número de jovens homo e bissexuais masculinos com HIV no País aumentou 70,5% em uma década, revelou o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Em 1996, homossexuais e bissexuais masculinos representavam 24,1% do total de casos da doença entre 13 e 24 anos. Em 2006, a proporção saltou para 41,1% dos casos na mesma faixa etária. Entre heterossexuais, a proporção também aumentou neste período, mas numa velocidade menor, 51,6%.
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O documento mostra ainda que, entre jovens, o grupo feminino está mais vulnerável à epidemia. Na faixa etária de 13 a 19 anos, há hoje dez mulheres infectadas para cada seis homens. Algo bem diferente do que ocorria em 1985, quando eram contabilizados 14 casos no grupo masculino para cada caso feminino.
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As duas tendências preocupantes reveladas pelo boletim têm em sua origem um problema comum: dificuldade no acesso a serviços de saúde e resistências culturais. “Meninas sentem-se inibidas em recorrer a postos de coleta de preservativos. O mesmo ocorre com jovens gays, que temem a discriminação”, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão. No caso de jovens gays, há um problema adicional, vivido também na Alemanha e em alguns estados americanos. Esta geração cresceu longe do horror que a doença provocava no início da epidemia. Agora, a aids é vista como um problema crônico, o que, em parte, acaba abrindo brechas para que a prevenção seja mais “frouxa”.
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Diante da tendência registrada entre bissexuais homens e homossexuais, o Programa Nacional de DST-Aids, em conjunto com a sociedade civil, desenvolveu um conjunto de ações. A estratégia tem como principal objetivo reduzir a homofobia entre grupos de jovens, ampliar a consciência sobre a necessidade de proteção e do uso de preservativos. Entre homossexuais e bissexuais de faixas etárias mais altas, o número de casos novos está caindo. Justamente por isso, a média de casos de aids entre homo/bissexuais mantém-se estável.
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EM QUEDA - O boletim aponta ainda uma tendência de queda no número de casos de aids no Brasil. Em 2006, foram registrados 32.628 casos novos da infecção. Em 2002, haviam sido notificados 38.816 novos pacientes. “Mas é cedo para falar que o número de casos está caindo. Para isso, precisamos esperar pelo menos mais dois anos”, afirmou.
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A cautela se explica. A epidemia hoje está pulverizada pelo País, 86% dos municípios brasileiros têm casos registrados da doença. “Com a interiorização, há maior risco de a notificação dos casos ser mais lenta”, observou. A análise dos dados mostra que o número de casos da doença permanece estável nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já nas regiões Norte e Nordeste, a epidemia apresenta um ritmo crescente.
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A diferença também é notada nas taxas de mortalidade. Regiões Norte e Nordeste apresentam números mais elevados. Para Mariangela, isso demonstra deficiências nos sistemas de saúde dessas duas regiões. “É preciso melhorar principalmente o diagnóstico precoce e o início do tratamento”, observou. O trabalho mostra, por exemplo que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com aids no Norte morreram um ano depois da descoberta da doença. No Sudeste, 95% das pessoas com aids continuam vivas cinco anos depois do diagnóstico.
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O documento também indica a redução dos casos da doença entre usuários de drogas injetáveis. Para Mariangela, essa redução é fruto da combinação de três fatores: eficácia do programa de redução de danos - que distribui seringas para usuários -, a morte de parte dos pacientes dependentes de drogas injetáveis e, também, a mudança do perfil do uso de drogas no País. “O uso de crack agora é muito mais intenso do que o de drogas injetáveis”, observa.
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Atualmente, a aids atinge 0,5% da população brasileira entre 15 e 49 anos. Apesar da distribuição de medicamentos anti-retrovirais, as taxas de mortalidade são estáveis: 5,1 por 100 mil habitantes. “A terapia aumenta a expectativa de vida dos pacientes. Mas aqueles que já estão em tratamento há mais tempo podem apresentar resistência aos remédios”, explicou.
Por: Ligia Tormenti
Fonte: O Estado de São Paulo

quinta-feira, 17 de julho de 2008

JOVENS GAYS NÃO PROCURAM MÉDICO POR MEDO DE PRECONCEITO

O medo do preconceito e da discriminação faz com que os adolescentes gays de São Paulo evitem ao máximo procurar unidades estaduais de saúde para acompanhamento médico. Pelo menos é o que aponta pesquisa da Secretaria da Saúde realizada em maio com jovens que participaram da Parada do Orgulho – , Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais (LGBT), em São Paulo.
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Durante o evento, foram entrevistados 576 adolescentes menores de 20 anos, dos quais 527 se declararam lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais. Desse total, apenas 41% disseram procurar assistência médica em locais considerados apropriados, como postos de saúde, clínicas ou hospitais. Já a maioria dos que buscam assistência, informou que a procura normalmente para casos urgentes e não participa de acompanhamento regular.
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Dos entrevistados, 82% avaliaram os serviços de saúde como inadequados e excludentes. Disseram que gostariam de ser atendidos nos serviços sem sofrer preconceito. “Os adolescentes gays se sentem retraídos e resistem a buscar acompanhamento médico e psicológico em unidades de saúde. A rede precisa acolhê-los ao invés de inibi-los, pois a vulnerabilidade pode fazer com que o jovem adote comportamentos de risco”, afirma a coordenadora de Saúde do Adolescente de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti.
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Política pública – A Secretaria da Saúde está desenvolvendo programa específico para atendimento de adolescentes LGBT em todo o Estado de São Paulo. O objetivo da iniciativa é preparar a rede para abordar o adolescente para que fique à vontade quando falar sobre sua conduta sexual ou afetiva, deixando de lado medos e vulnerabilidades que possam levá-lo a comportamentos de risco, como o sexo sem preservativo ou abuso de drogas e álcool, por exemplo.
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Para isso, será realizada uma ampla capacitação de profissionais de saúde. A relação de confiança com os médicos também será fundamental para que o jovem relate qualquer problema de saúde que possa estar ligado à opção sexual, evitando o agravamento da doença. Na Casa do Adolescente de Pinheiros, serviço oferecido pela pasta da Saúde, os profissionais já são orientados a fazer uma abordagem diferenciada, que não intimide o jovem.
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Uma das recomendações, por exemplo, é para que em vez de perguntar se o adolescente tem namorado ou namorada, indagar se está saindo com alguém ou “como vão os amores”. “Queremos trabalhar a auto-estima desse cidadão, assim como suas emoções e projetos pessoais, fatores determinantes do estilo de vida, que pode ser saudável ou não”, assegura Albertina Duarte.
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Levantamento informal realizado na Casa do Adolescente constata que 10% dos jovens atendidos mensalmente na unidade têm conduta LGBT. Para Albertina, o número pode ser maior, pois muitos ainda escondem esta informação, por medo do preconceito. “Normalmente o adolescente assume sua condição após pelo menos três consultas”, informa.

Fonte: Secretaria da Saúde de São Paulo

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ANTI-RETROVIRAIS TRANSFORMAM AIDS EM DOENÇA CRÔNICA

WASHINGTON (AFP) — O grupo de soropositivos registrou um recuo bastante significativo em sua taxa de mortalidade, que seria comparável ao do restante da população, nos cinco anos que se seguem a sua infecção pelo vírus da Aids, desde o início dos tratamentos com anti-retrovirais, em 1996.
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De acordo com um estudo divulgado no Journal of the American Medical Association (Jama), nos países industrializados, as pessoas que se tornaram soropositivas em conseqüência de contato sexual parecem ter um risco de mortalidade similar ao da população em geral nos cinco primeiros anos após a infecção. Seu risco de falecer cresce, porém, depois desse período, afirmam os autores do trabalho.
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Vários estudos relataram a baixa espetacular da mortalidade entre as pessoas infectadas pelo vírus HIV desde a entrada, no mercado, em 1996, de terapias anti-retrovirais eficazes nos países industrializados.
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Um grupo de pesquisadores, liderado pelo Dr Krishnan Bhaskaran, do "Medical Research Council Clinical Trials Unit", em Londres, analisou a evolução da mortalidade de 16.534 soropositivos comparativamente à da população em geral não-infectada, entre 1981 e 2006.
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Nesse grupo de soropositivos observados por 6,3 anos (em média) após o início de sua infecção, a taxa de mortalidade excessiva em relação ao percentual normal para mil pessoas/ano (o número de pessoas no estudo multiplicado pelo número de anos de acompanhamento por indivíduo) era de 40,8/mil, antes do surgimento das terapias anti-retrovirais em 1996.
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Depois, essa taxa de mortalidade diminuiu a cada ano até chegar a 6,1 (em mil) em 2004-2006, ou seja, um índice comparável ao de pessoas não-infectadas.

domingo, 22 de junho de 2008

“PREVENÇÃO É PARA TODOS E NÃO SÓ PARA PORTADORES DO HIV”, DIZ ATIVISTA HUGO HAGSTRÖM

“Agora aparece um projeto de lei penalizando quem transmitir o HIV e classificando como crime hediondo. Prevenção é para todos e não só para portadores do HIV”, protestou o ativista Hugo Hagström, do Grupo de Incentivo à Vida, sem citar o número do projeto. Esta foi uma das reclamações em depoimento realizado no fim da tarde desta quinta-feira (19) no IV Fórum Brasileiro de Aids e no II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo.
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Hugo traçou um breve histórico sobre o ativismo, a epidemia de Aids brasileira e a chegada dos anti-retrovirais no Sistema Único de Saúde. “Foi necessário o movimento entrar na justiça para conseguir os remédios. Não foi uma iniciativa unilateral do governo como muitos acreditam”, disse.
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Segundo o ativista, houve dois lados da chegada dos anti-retrovirais: um positivo e um negativo. “Foi ótimo saber que passaríamos de portadores de uma doença letal para uma doença crônica. Mas, isso materializou o HIV para quem necessita de privacidade e não quer revelar seu status”, explicou o ativista sobre o preconceito que um portador do vírus pode sofrer em ambientes de trabalho ou sociais ao ter que portar os medicamentos.
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Para ele, o maior desafio é a adesão ao tratamento. “Ela é diária, não é uma etapa que quando vencida está eliminada”, ressaltou.
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Outro problema apontado por ele é o emprego. “Se por um lado a Previdência Social diz que estamos aptos a trabalhar, por outro as empresas não querem nos contratar”, disse, afirmando que a testagem compulsória de HIV, sem consentimento do indivíduo, ‘rola solta’ no Exército, Marinha e Aeronáutica, além de outras empresas privadas.
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No fim, o ativista também disse que falta humanização com os médicos e reclamou dos baixos salários que profissionais de saúde recebem no Sistema Único de Saúde.
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Hepatite C - Já Jeová Fragoso, ativista da Hepatite C da ONG Grupo Esperança, contou que na sua instituição há três óbitos por mês por causa das hepatites. Depois, explicou os entraves técnicos e burocráticos na área dentro dos serviços de saúde, citando principalmente os problemas para realizar exames como o PCR. “Isso prejudica demais o indivíduo que descobre-se portador da hepatite C e é obrigado a seguir uma série de procedimentos. Muitos pensam, ‘estou bem, para quê o tratamento?’”, explicou, dizendo que a maioria abandona o tratamento. Também citou que uma das maneiras de ir atrás do direitos é entrar com ação na justiça.
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No final da apresentação, disse que 40% dos soropositivos possuem infecção por hepatites B ou C. “O modelo de controle da Aids deve servir para a hepatite. Não devem existir bairrismos entre as duas patologias”, disse.
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Rodrigo Vasconcellos, de Santos
Fonte: Agência de Notícias da Aids

domingo, 15 de junho de 2008

FIOCRUZ ANUNCIA ESTUDO DE PREVENÇÃO AO HIV

O Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - IPEC, da FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz, anunciou, esta semana, o início de uma nova pesquisa clínica de prevenção ao HIV, vírus que causa a AIDS. A pesquisa é chamada IPrEx - Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição.
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A profilaxia pré-exposição (PrEP), terapia utilizada para prevenir mais do que tratar uma infecção ou doença, é uma estratégia sendo estudada pelo NIH (National Institutes of Health – Ministério da Saúde Americano) como parte dos esforços para desenvolver novos métodos de prevenção. Em estudos com macacos, o tratamento com drogas antiretrovirais para o HIV reduziu significativamente a contaminação entre macacos expostos à variedade símia do HIV. Em seres humanos, o HIV também se mostrou vulnerável a esse tipo de intervenção pré-contaminação. O tratamento antiretroviral durante o parto, de uma mãe infectada como HIV, reduz em aproximadamente 75% a probabilidade de contaminação do bebê. O tratamento com drogas anti-HIV também pode reduzir significativamente o risco de infecção quando realizado imediatamente após a exposição ao vírus.
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O estudo IPrEx, uma Iniciativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) é um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (US NIH) e Fundação Bill & Melinda Gates e pode ajudar a prevenir a infecção pelo HIV em pessoas com alto risco de contaminação, quando combinado com a prática de sexo seguro, aconselhamento e o uso de preservativos. Este estudo está sendo conduzido por uma equipe de pesquisadores altamente qualificada no Brasil, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Equador.
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O estudo incluirá 3000 homens saudáveis, sexualmente ativos e HIV-negativos, que fazem sexo com homens (HSH) e que têm alto risco de contaminação pelo HIV. Os voluntários em potencial serão submetidos a uma longa entrevista para assegurar que eles compreendam o estudo e que sua participação seja totalmente voluntária. Os voluntários serão cuidadosamente monitorados ao longo do período de 18 meses do estudo e por mais seis meses após o seu término.
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Estima-se que os dados do estudo IPrEx estejam disponíveis em 2010.
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Para melhores informações: www.iprex.com.br, entre em contato pelo email iprex@iprex.com.br ou ligue grátis para 0800-28-47739.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CONFERÊNCIA GLBT É A PRIMEIRA A RECEBER APOIO GOVERNAMENTAL

O presidente Lula segura a bandeira do arco-íris, que representa o movimento GLBT, ladeado da primeira-dama Marisa Letícia, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi

A Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), que começou ontem (5) à noite em Brasília, é a primeira do Brasil e do mundo realizada com apoio governamental. Cerca de mil pessoas debatem o tema direitos humanos e cidadania. A conferência foi precedida de encontros regionais que discutiram políticas públicas para o setor.
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O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, disse que políticas públicas são necessárias para combater o preconceito e a discriminação tanto nas instituições quanto na sociedade. "O preconceito existe, é na família, na comunidade, no local de moradia. É preciso trabalhar em todas as áreas e também nas instituições. Os três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - têm que estar juntos nessa mesma política discutindo com a sociedade de maneira articulada”.
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Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Cipriano lembrou que quando um evento, como a conferência, tem o apoio do Estado, ele pode avançar e alcançar outros setores públicos ou da sociedade. “Na medida em que o Estado se propõe a discutir, debater e encaminhar políticas, há um aspecto positivo; naturalmente ainda tem preconceito. É preciso ter leis adequadas, o Judiciário todo ainda está acompanhando e ajudando nesse sentido.
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O subsecretário disse ainda que já existe uma mobilização grande no Brasil em torno do tema. Ele citou como exemplo a parada gay de São Paulo, com a participação de 3,5 milhões de pessoas, considerada a maior manifestação cívica no país. "Ali estão gays, lésbicas, travestis e transexuais, mas ali são pais e mães heterossexuais. A humanidade tem algumas questões a serem resolvidas para que a gente consiga uma democracia plena, a homofobia (aversão ou discriminação contra homossexuais.) é extremamente grave e precisa ser combatida".
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Sobre o caso do sargento preso depois de assumir a homossexualidade, Cipriano acredita que não existe nenhuma instituição homofóbica. “Não creio que exista uma instituição que seja homofóbica. Acho que é preciso conhecer de perto esses acontecimentos e trabalhar muito, é fundamental que se tenha o diálogo, não se combate intolerância com intolerância. No Brasil, há muito violência contra homossexuais, muitas vezes de pessoas com as quais eles convivem."
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O conjunto de sugestões aprovadas na conferência deve ser incluída no Plano Nacional de Cidadania da GLBT. “ Isso se dará se a sociedade estiver mobilizada. É isso que permite ter avanço e consolidar políticas. O Brasil já avançou muito, mas não podemos ter a visão de que está tudo resolvido.Essa conferência vai se refletir em todo o mundo. Muitos países estão aqui como observadores."
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. A uma platéia formada por homossexuais, o presidente fez uma revelação sobre as suas viagem oficiais pelo mundo. "Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país", disse.
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Lula: 'Conheço figuras importantes que não assumem o homessexualismo'
"Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: “no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo”. Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história", emendou.
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"Conheço o preconceito nas minhas entranhas"
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Lula disse ainda que conhece o preconceito nas entranhas e defendeu a criação de um Dia de Combate à Hipocrisia: "Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, tudo ajuda, mas é um processo cultural".
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O presidente não escondeu, porém, o desconforto de colocar na cabeça um boné do movimento gay, oferecido pelo travesti Fernando Bevenute.
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Fonte: Jornais O Globo / O Dia - RJ
Foto: Agência Brasil

domingo, 25 de maio de 2008

SP DISTRIBUIU 1,5 MILHÃO DE PRESERVATIVOS NA PARADA GAY

O Programa Municipal de DST/Aids, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, distribuiu 1,5 milhão de preservativos durante a 12ª Parada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), realizada hoje. Cerca de 300 técnicos e agentes de prevenção em DST/Aids fizeram a entrega dos preservativos. Cinco tendas foram instaladas pelo Programa Municipal de São Paulo ao longo da Avenida Paulista para dar suporte à atividade, que já se tornou uma tradição no evento.

A Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, considerada a maior do mundo, contabilizou pelo menos 3,5 milhões de participantes neste ano. O evento, organizado pela Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (APOGLBT), tornou-se um espaço privilegiado de defesa da diversidade sexual e para o estabelecimento de uma aliança estratégica e novas parcerias entre programas governamentais de DST/Aids, movimento homossexual e movimento de luta contra a Aids. Em 2008, o tema da Parada GLBT de São Paulo é “Homofobia mata! Por um Estado laico de fato".

sábado, 24 de maio de 2008

RISCO DE AIDS ENTRE OS HOMOSSEXUAIS AINDA É 11 VEZES MAIOR

USE CAMISINHA!

1982: É identificado o primeiro caso de Aids no Brasil.
1983: Morre em Nova York o estilista mineiro Markito, 31 anos, primeira pessoa pública do país a morrer por causa da Aids.

Naquele início dos anos 80, a doença era chamada de 'câncer' gay e muita gente tinha receio de apertar a mão de homossexuais e pegar a doença.
2008: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem hoje com o vírus HIV. Por dia, 6.800 pessoas são infectadas e 5.700 morrem por causa da doença.
Há muito caiu o preconceito. Houve o que a comunidade médica classifica como desomossexualização da doença.
Mas, ainda assim, os gays representam ainda 30% dos doentes em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No Brasil, estima-se que 620 mil pessoas vivem com o HIV. Segundo dados do Grupo Pela Vidda, 180 mil pessoas fazem atualmente tratamento para controle da doença.
- O avanço da medicina e a disponibilidade de medicamentos na rede pública tornaram a Aids uma doença crônica, como a diabetes ou a hepatite. Ela já não é mais associada à morte, diz Mario Scheffer, doutor em medicina preventiva e integrante do Grupo Pela Vida.
Há, porém, a outra face da moeda. Segundo a avaliação de Scheffer, na medida em que a Aids deixou de ser uma doença associada a grupos de risco, se alastrando entre os heterossexuais, houve na sociedade um certo grau de negligenciamento da epidemia entre os homossexuais.
Os mais velhos, que viram amigos morrer vítimas da doença, mantêm a preocupação com o uso constante de preservativos nas relações sexuais. Entre os mais jovens, há um certo relaxamento.
- O conceito de grupo de risco foi eliminado na década de 90. Ao mesmo tempo em que serviu para acabar com o preconceito, teve o efeito de afastar os homossexuais da prevenção. Houve paralisação e redução das ações e campanhas voltadas para este público inclusive pelas ONGs, que tiveram papel fundamental na mobilização da década de 80, afirma Scheffer.
O resultado é um recrudescimento da doença entre os mais jovens. Enquanto entre os homossexuais com mais de 30 anos há uma redução da taxa de incidência, a Aids aumentou no público adolescente e jovem.
O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revela o aumento. Em 1996, 24% dos homossexuais com Aids tinham entre 13 e 24 anos. Em 2006, este percentual pulou para 41%. Na faixa etária de 25 a 29 anos, variou de 26% para 37% no período.
A Aids é um problema de saúde pública que afeta a todos, indistintamente, mas não se pode deixar de alertar que os homossexuais são 11 vezes mais vulneráveis à doença do que os heterossexuais.
- A incidência da Aids no público homossexual é de 226,5 casos para cada 100 mil, 11 vezes mais do que a taxa da população em geral, que é de 19,5 casos por 100 mil habitantes, explica Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Programa DST/Aids do governo federal.
O vírus da Aids não escolhe sexo ou lugar para atacar.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a Aids está presente em 86% das cidades brasileiras, mas é nos grandes centros que a maior parte dos casos se concentram. A capital paulista responde, sozinha, por 25% dos casos de todo o país.
- A grande história hoje é como voltar a priorizar a prevenção para este publico sem permitir que retome o preconceito, explica Scheffer.
Até quando o sistema será capaz de bancar o custo do tratamento da Aids?
Esta é a pergunta que se faz o médico Mário Scheffer. Hoje, o Ministério da Saúde desembolsa R$ 1,4 bilhão por ano para tratar de seus 180 mil doentes.
No total, 18 medicamentos que compõem os coquetéis destinados ao tratamento da Aids estão disponíveis na rede pública de saúde. Destes, apenas oito são fabricados no país.
Os demais são protegidos por patentes. No ano passado, pela primeira vez, o Brasil quebrou a patente do Efavirenz , um dos retrovirais usados no coquetel anti-aids.
Até 1996, as alternativas de medicamentos eram poucas e apenas a oferta do AZT era garantida. Agora, os doentes podem contar com medicamentos muito mais potentes.
- A Aids se tornou uma doença de caráter crônico. Tem cada vez mais pacientes dependendo do tratamento e com expectativa de vida maior. É um sério problema de saúde pública, diz Scheffer.
Eduardo Barbosa, do Ministério da Saúde, afirma que a quebra de patentes não é o único caminho e que o país caminha para aumentar a produção local, o que barateia custos. Além disso, assegura, as negociações de preços têm avançado.
Reconhecido pela ampla cobertura no tratamento dos doentes, o Brasil ainda registra por dia 30 mortes pela doença.
- É como se um ônibus lotado caísse em um precipício todo dia sem que se torne notícia, afirma Scheffer.
Assim como ocorre com doenças como a tuberculose, a Aids tem como divisor de águas a pobreza. Nada menos do que 43% das pessoas com Aids chegam tardiamente ao serviço de saúde.
Poucos fazem o teste para para saber se é HIV positivo. Sem ele, os soropotivos não conseguem se beneficiar desde cedo pela modernidade do tratamento. Sem ele, correm o risco de transmitir a doença.

terça-feira, 20 de maio de 2008

MAIS DE 50% DOS JOVENS GAYS ABREM MÃO DA CAMISINHA POR CAUSA DO PARCEIRO, DIZ PESQUISA

Uma pesquisa da organização não-governamental Arco-íris, do Rio de Janeiro, mostrou que 51,6% dos jovens gays, entre 14 e 29 anos, abrem mão da camisinha pelo menos em alguma situação em que há dificuldade de negociar o uso do preservativo. O estudo “Juventude Gay, Comportamento e Aids” ouviu 150 pessoas e foi realizado no final de 2007.

Segundo o Ministério de Saúde, no início do ano, a coordenação Nacional de DST/Aids apontou o aumento dos casos de Aids nesse grupo ao lançar o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, Travestis e HSH (homens que fazem sexo com homens, mas que não se assumem como homossexuais). Dos infectados por HIV, na faixa etária entre 13 e 19 anos, os gays, os HSH e os travestis correspondiam a 40% dessa população, em 2005. Em 1999, essa parcela era de 18%.

Os números foram divulgados um dia antes da abertura da 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas GLBT do Rio, que aconteceu nesta sexta-feira (16) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Na ocasião, a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa, Ana Maria Costa, apresenta o documento Saúde da População GLBT, que propõe sensibilizar os profissionais de saúde para as questões de gênero.

Campanha contra a Aids

Em março, o Ministério da Saúde lançou um plano específico de enfrentamento da aids entre gays e travestis. Segundo o Ministério, as medidas tentam atender a antigas reivindicações de organizações não-governamentais (ONGs) e barrar uma tendência preocupante: o aumento de casos da infecção entre homossexuais jovens.
Foram feitos cem mil cartazes adesivos e 500 mil impressos especialmente para o público gay, distribuídos em locais como saunas e bares.

Fonte: Site G1

sábado, 17 de maio de 2008

TRAVESTIS INSULTADOS POR TORCEDORES NO MARACANÃ NO DIA DA LUTA CONTRA A HOMOFOBIA

Um grupo de torcedores, que comprava ingressos no Maracanã para o jogo entre Fluminense e São Paulo, agrediu verbalmente participantes da 1a Conferência de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), no Rio de Janeiro. Os xingamentos foram disparados quando eles passavam perto da bilheteria nº. 8 e se dirigiam ao restaurante popular do Estádio do Maracanã para almoçar.
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Carlos Eduardo Pinheiro, de 23 anos, morador de Saracuruna, bairro de Duque de Caxias, bem exaltado, dirigiu-se com mais agressividade a dois travestis, Kakau Ferreira (Flávio Ferreira dos Santos Rodrigues), 23, e Andréa Brazil (André Luiz da Costa Silva), 35. Entre os xingamentos desferidos estavam "travas", "travecos", "viados", "putonas" e "Ronaldinho não está aqui", uma alusão ao recente caso envolvendo o atacante do Milan. Indignadas com a situação, as agredidas recorreram a uma dupla de policiais que fazia a segurança do local e o agressor foi detido.
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"Eu atravessava a calçada do Maracanã e comentava o quanto estava feliz, porque tenho alunos e alunos de todas as idades, entre eles, evangélicos. Todos nos tratam muito bem. Decidimos registrar a queixa como ato simbólico, porque justamente hoje discutíamos políticas públicas contra a homofobia. Homofobia tem que ser entendida como crime", justificou Kakau, que é professora de telemarketing.
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Antes de os envolvidos terem sido encaminhados à delegacia, houve uma discussão pública entre os participantes da conferência que almoçavam no estádio. A alternativa ventilada era de o agressor pedir desculpas a Kakau e Andréa em voz alta no restaurante e ainda caminhar pela fila da bilheteria do Maracanã portando a bandeira do arco-íris. A decisão foi quase unânime. Carlos Eduardo foi encaminhado para a 18ºDP, na Praça da Bandeira, Centro do Rio, onde foi feito o registro da agressão.
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Se condenado, o agressor pode ter de cumprir pena alternativa, como o pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários.



1) Andréa Brasil caminha na frente do policial e de Carlos Eduardo, acompanhados por outros participantes da conferência
2) O registro da 18ª Delegacia Policial
3) Ativista repreende o rapaz, sendo observada pelo policial e outros
4) A travesti Andréa Brasil
5) A travesti Kakau Ferreira

Fotos: Jornal O Sexo