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quinta-feira, 1 de maio de 2008

PORTADOR DE HIV INICIA TRATAMENTO QUANDO SAÚDE JÁ ESTÁ DEBILITADA


Apesar do acesso amplo a exames e remédios, 43,7% dos pacientes com Aids no Brasil descobrem ser portadores da doença e iniciam o tratamento quando a saúde já está bastante debilitada. A demora para o início da terapia se reflete nas estatísticas de mortalidade: 28,7% deles morreram no primeiro ano depois da confirmação da infecção. "É um índice inaceitável", disse a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, acrescentando que a porcentagem de detecção tardia "merece reflexão da estratégia usada para diagnóstico da doença".

Relatório brasileiro enviado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em HIV/Aids mostra que o risco de morte do paciente com início tardio de tratamento é 22 vezes maior do que das pessoas que começam a terapia no tempo oportuno. Dos pacientes que começaram o tratamento e morreram entre 2003 e 2006, a maioria (94%) era de pacientes tardios - que já apresentam deficiências severas e sintomas.

Para Mariangela Simão, uma das formas de melhorar o acesso aos exames é a ampliação da oferta de testes rápidos para detectar a Aids. Ela lembra que, embora a oferta do teste tenha aumentado 140% de 2005 para cá, há ainda resistência nos serviços públicos para o uso desses kits. Mariangela admite que, no primeiro estágio, parte dos testes perdeu validade nos estoques, sem ser usada. "Hoje não perdemos mais testes", garantiu.

Mariangela defende, porém, que os testes rápidos devem ficar restritos aos serviços de saúde. "É preciso colher o sangue do paciente e para isso é preciso um profissional habilitado."

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e um dos colaboradores do documento brasileiro, Alexandre Grangeiro, disse que "é chegado o momento de se pensar em estratégias mais agressivas para oferta dos exames de detecção do HIV". Para ele, é preciso não só intensificar campanhas que mostram a importância sobre o diagnóstico como também ampliar a oferta dos postos de testagem gratuita. Ele defende, por exemplo, a realização de exames em Organizações Não-Governamentais de prevenção de Aids. "Uma ação semelhante à que foi realizada com oferta de preservativos."

Os índices brasileiros de tratamento tardio não diferem muito dos de países desenvolvidos. "Isso não significa que devamos ficar inertes. Temos muito a melhorar", afirmou Mariangela. O risco do início do tratamento tardio varia de acordo com a idade, sexo e região do paciente.
Lígia Formenti - Agência Estado [24/04/2008]

segunda-feira, 28 de abril de 2008

PESQUISA DIZ QUE CIENTISTAS ESTÃO MAIS PESSIMISTAS SOBRE VACINA CONTRA A AIDS

Uma pesquisa feita no Reino Unido revelou que o pessimismo entre os cientistas sobre a possibilidade de se encontrar uma vacina contra a Aids é maior do que nunca e que muitos deles acreditam, inclusive, que a tarefa é impossível. A pesquisa foi realizada pelo jornal britânico "The Independent" entre 35 cientistas que se dedicam ao tema na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Entre eles, nomes importantes como o professor Andrew Leigh Brown, da Universidade de Edimburgo, Jonathan Weber, do Imperial College (Londres), e William James, da Universidade de Oxford. Entre os entrevistados, apenas dois se mostram hoje mais confiantes que há um ano e outros quatro se manifestaram afirmando progresso em relação há cinco anos. Cerca de dois terços dos consultados não acreditam que seja possível desenvolver uma vacina contra a aids na próxima década e outros pensam que são necessários pelo menos 20 anos para que se possa chegar a uma real proteção para as pessoas diante do vírus. Uma minoria dos cientistas disse, inclusive, que nunca se chegará a descobrir uma vacina eficaz contra a síndrome de imunodeficiência adquirida. O pessimismo de alguns cientistas pode ser atribuído ao fracasso de algumas tentativas recentes de se elaborar uma vacina realmente eficaz. Uma vacina elaborada pelo laboratório Merck, que parecia dar resultado nos macacos de laboratório infectados artificialmente com o vírus da aids, não funciona quando aplicada em voluntários humanos expostos à doença. Segundo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, o modelo animal, que utiliza uma combinação de vírus de imunodeficiência adquirida de símios e humanos, não serve para prever o resultado quando a vacina é aplicada nas pessoas. Para Fauci, apesar dos problemas, não é o momento ainda de jogar a toalha, pois há muitas perguntas que ainda precisam de resposta. Entre os entrevistados, 80% acreditam que é necessário tomar uma nova direção em busca da vacina após o fracasso dos experimentos clínico da Merck. Os experimentos foram suspensos depois de suspeitas de que a vacina poderia, inclusive, aumentar o risco de contrair a doença. Cerca de 33 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da aids no mundo todo e aproximadamente 26 milhões já morreram vítimas da doença.


Fonte: Agência EFE

sexta-feira, 25 de abril de 2008

HIV SE ESCONDE NO ORGANISMO POR PELO MENOS SETE ANOS, APONTA ESTUDO DOS ESTADOS UNIDOS

O acompanhamento de pessoas que tomam há mais de sete anos o coquetel de drogas contra o HIV acaba de demonstrar como esse inimigo da humanidade é duro na queda. Usando técnicas sofisticadas para detectar níveis mínimos do vírus da Aids, cientistas americanos mostraram que ele nunca desaparece totalmente do organismo.

Embora sua presença caia para quantidades baixíssimas, erradicá-lo completamente continua sendo impossível.

A equipe capitaneada por Sarah Palmer, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (O Ministério da Saúde dos EUA), descreve as preocupantes descobertas na edição desta semana da revista científica americana PNAS. Para os pesquisadores, tudo indica que o HIV está se "escondendo" no interior de células de longa vida. Essas células seriam uma fonte viral constante e de baixa intensidade, de forma que, se por algum motivo o paciente relaxar a guarda, seria fácil para o vírus da Aids voltar à ativa.

Palmer e seus colegas utilizaram técnicas que vão além da sensibilidade dos testes de Aids mais comuns.

Enquanto o normal é que o vírus pareça "indetectável" quando sua presença cai abaixo de 50 partículas virais (as "cópias" do vírus) por mililitro de sangue, os pesquisadores usaram um teste que "pesca" até a quantidade ínfima de menos de uma cópia de vírus por mililitro. Outra novidade do estudo é o tempo de acompanhamento dos 40 pacientes, que chegou a sete anos de amostragem constante.

Fases da infecção

O principal achado da equipe foi a observação de que o HIV não perde a força no organismo de forma linear.

Enquanto nas primeiras semanas de tratamento com o coquetel contra a Aids a contagem de vírus pode cair de 83 mil por mililitro de sangue para apenas 50 partículas virais por mililitro, eram necessários vários meses para a nova diminuição (para cerca de 10 cópias virais).

Depois disso, praticamente não havia mudanças, independentemente do tempo de tratamento. Cerca de 80% dos pacientes continuava com pelo menos uma cópia do vírus por mililitro de sangue, mesmo após tomar o coquetel durante sete anos. O que explicaria essa queda em degraus na quantidade de vírus? Para os cientistas, o mais provável é que cada fase esteja associada a um compartimento diferente de células que o HIV infecta.

Enquanto a maioria delas é de vida curta e acaba morrendo, algumas poucas continuam a produzir novas partículas virais quando se dividem. Um indício desse fato é que, nos infectados de longo prazo, a maior parte do HIV encontrado é o clone de um único vírus que conseguiu sobreviver aos medicamentos. Agora, os pesquisadores querem identificar essa subpopulação "imortal" de células para tentar, de alguma forma, erradicar os últimos vestígios do HIV.
Reinaldo José Lopes
Fonte: G1

quinta-feira, 17 de abril de 2008

MÉDICOS DIZEM EM PESQUISA QUE 74% DOS PORTADORES DO HIV NÃO REVELAM INFECÇÃO AOS PARCEIROS E AMIGOS

Uma pesquisa revela que, segundo infectologistas, 48% dos infectados pelo vírus HIV não contam status sorológico para as suas famílias. O levantamento deste e de outros dados foi realizado durante o Congresso Brasileiro de Infectologia, em outubro de 2007, pela primeira vez, e envolveu 202 especialistas. O objetivo era ter uma idéia de como é a relação médico-paciente em HIV/Aids. O estudo foi conduzido pela farmacêutica Pfizer. De acordo com o levantamento, 74% dos soropositivos não informam o status às pessoas pertencentes à sua rede de relacionamento, parceiros e amigos. Para o Dr. Juvêncio Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os números representam o medo do preconceito. “Os pacientes têm receio de tornar público a situação em local de trabalho, ou na família, e sofrer algum tipo segregação”, comentou. Segundo 12% dos médicos infectologistas, a maioria das pessoas não acredita mais na mortalidade da Aids.



Mesmo assim, os dados não significam uma exatidão de 100% do dia-a-dia de todos os profissionais no País, mas um panorama da visão de infectologistas, segundo o Dr. Furtado. “A gente considera o preconceito como uma realidade. Só depois, mais tarde, quando acontece uma estabilidade da infecção, muitos já contam para família”, disse Juvêncio. Sobre o fato de 74% dos pacientes não informar suas relações sexuais a ninguém, “cabe aos médicos sensibilizá-los para a informação chegar em seus parceiros”, explicou. Na opinião pessoal do especialista, as pessoas demoram pelo menos seis meses para revelar o HIV para a família e amigos mais íntimos. Para os médicos entrevistados, o número de pessoas infectadas cresce todos os anos, inclusive no Brasil, principalmente porque ainda se pratica sexo sem o uso de preservativos. Essa é a opinião de cerca de 82% dos especialistas. Para um terço deles, 33%, o aumento no número de casos é também um reflexo da melhora no serviço de notificação e registro de pacientes recém-infectados. Já para 29%, esse crescimento é conseqüência da falta de acesso da população aos serviços de saúde.



Reação - Outro dado apresentado pela pesquisa é de que 63% das pessoas que vão a um consultório médico já sabem seu status sorológico, segundo a percepção dos médicos. Para 12 % dos infectologistas, os pacientes reagem ao diagnóstico sem grandes preocupações, pois acreditam que a Aids deixou de ser uma ameaça de morte e pode ser controlada.“Acho que é um pouco mais do que 12%. As pessoas tem mais aceitação da doença do que no passado. Antigamente, a revelação causava até suicídio. O que falta lembrar é que o tratamento vai ter que acontecer diariamente, com precisão britânica”, disse Juvêncio Furtado. “Essa falsa sensação de segurança com a Aids não vai permitir, necessariamente, uma vida normal. A aceitação da Aids pode trazer um relaxamento e até a exposição proposital ao HIV - existem várias coisas. Muitos jovens, por acharem que o parceiro(a) não tem HIV, se descuidam e acreditam que não há problemas. Tratar a Aids não é tomar uma pílula de açúcar, essas medicações têm efeitos colaterais como aumento de risco cardiovascular ou liposdistrofia”, lembrou. Já para outra parte de especialistas, a reação do paciente ao descobrir que é portador do vírus não mudou muito nas últimas duas décadas. Para 62% dos médicos, o paciente reage pensando que vai morrer. Para 50%, o paciente entra em depressão; para 32%, entra em desespero; para 30%, demonstra revolta e para 29%, choque. Segundo os especialistas, 73% dos portadores de HIV não descobriram por acaso a infecção. Segundo a Pfizer, o fato de esses profissionais conseguirem descrever a reação de seu paciente perante a doença denota a forte relação entre os dois. Mas o médico tem consciência da extensão do seu papel e, por isso, 93% consideram o apoio de familiares e amigos essencial ou muito importante para o sucesso do tratamento.



Futuro - Quando questionados sobre os principais desafios na luta contra a doença no futuro, 48% dos especialistas dizem que a resposta é a prevenção. Já 16% ressaltam a questão da baixa adesão ao tratamento; outros 16% apontam a resistência do vírus. Há que se considerar que não é sempre devido à baixa adesão que o vírus adquire resistência. Logo, as questões precisam ser tratadas separadamente. A falta de informação e de diagnóstico precoce, bem como a necessidade de novos tratamentos também foram apontados como importantes desafios para o futuro. Para o presidente da SBI, a Aids “é uma doença prevenível, portanto, é inadmissível casos novos. O grande desafio é reduzir drasticamente a infecção”. “Ter cada vez mais medicações, com menos pílulas diárias e menos efeitos colaterais é outro desafio. O mais fantástico, mesmo, seria uma vacina”, concluiu Juvêncio Furtado.



por Rodrigo Vasconcellos

Fonte: Agência Aids





sexta-feira, 11 de abril de 2008

GOVERNO TORNA DROGA ANTI-AIDS MEDICAMENTO DE INTERESSE PÚBLICO

Tenofovir é um dos mais caros do coquetel; há 1 ano, decreto inédito permitiu compra de genérico do Efavirenz


O Ministério da Saúde declarou de interesse público o anti-retroviral Tenofovir, um dos mais caros e importantes medicamentos usados pelo Programa Nacional de DST-AIDS. Com a medida, o governo quer apressar a análise de processo de patente do remédio, que há anos se arrasta no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

A expectativa é que o registro de patente seja negado por causa da decisão dos Estados Unidos - o que, na prática, abre espaço para o governo atuar em duas frentes: comprar genéricos de outros fabricantes e iniciar a produção nacional do medicamento. Produzido pela empresa Gilead, o Tenofovir hoje é usado por 30 mil pacientes no Brasil. O tratamento de cada um custa US$ 1.387 por ano. O remédio, sozinho, é responsável por 10% dos gastos com remédios do programa de AIDS.

No ano passado, também no mês de abril, o Brasil declarou de interesse público o Efavirenz, anti-retroviral fabricado pela Merck. Naquele caso, no entanto, a medida representava o passo inicial para a quebra de patente. Agora, o direito de propriedade não foi reconhecido formalmente e o processo é um pouco diferente. "Mas, na prática, a intenção é a mesma", disse o diretor da Farmanguinhos, Eduardo Costa.

Embora a patente não tenha sido concedida, o Brasil age como tal. "É praxe. Quando é feito o depósito de patente, o País passa a respeitar essa expectativa de direito. É assim até o processo ser analisado", afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

INOVAÇÃO EM DÚVIDA

Ao longo destes anos, no entanto, alguns problemas foram se acumulando. No meio científico, houve contestações sobre as inovações da molécula usada na fabricação do Tenofovir.

A Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, argumentou que o medicamento não reunia os requisitos necessários para concessão da patente. "A molécula já era conhecida, não houve inventividade. Portanto, não há condições necessárias para que a patente seja concedida", garantiu Eduardo Costa. Além disso, ao longo destes anos a Gilead concedeu a licença voluntária para produção do remédio na África e na Índia. "Mas a empresa impôs uma cláusula, que impede esses fabricantes de vender o Tenofovir ao Brasil", disse Guimarães.

PRECEDENTE NOS EUA

Há cerca de um mês, uma decisão nos Estados Unidos derrubando a patente do medicamento - por ele não apresentar inovações - acabou reforçando os argumentos para apressar, no Brasil, a análise da patente. "O INPI afirmou que somente poderia analisar o processo em caráter de urgência se o interesse público fosse decretado. Passada esta etapa, estou convicto de que em breve teremos uma decisão sobre o assunto", disse Guimarães. O secretário descartou a possibilidade de o INPI reconhecer os direitos da Gilead sobre o Tenofovir. "Se o escritório tão rigoroso como o dos Estados Unidos reconheceu a falta de inventividade do produto, não vai ficar bem o INPI decidir o contrário."

Guimarães disse que, com a recusa da patente para o Tenofovir, o Brasil ficará desobrigado de cumprir até o fim o contrato firmado com a empresa, que prevê entrega do remédio até maio de 2009. De acordo com ele, versões genéricas custam bem menos do que o produzido pela Gilead. O tratamento indiano custa US$ 170 por paciente ao ano.

O laboratório Gillead, que no Brasil tem como representante a United Medical, informou que só deverá se manifestar hoje (10/4) sobre a decisão. No entanto, destacou em comunicado da matriz norte-americana que a decisão sobre as patentes nos EUA não foi definitiva e que a empresa está recorrendo. O laboratório destacou ainda já ter encaminhado provas de que o Tenofovir representou uma inovação. A Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica de pesquisa no País, declarou que a medida do governo "é um movimento legal" para acelerar análise de patente pelo INPI. A entidade, apesar de não ter a Gillead entre as associadas no Brasil, já tinha conseguido acesso ao decreto ministerial ontem por ser de interesse de todo o setor. "Não tem nada a ver com licença compulsória", enfatizou Gabriel Tannus, presidente da Interfarma. Ele prevê que, como a patente não foi reconhecida nos EUA, também não deverá ser aqui. "Fatalmente o medicamento deixará de ter patente."

ONGs que lutam pelos direitos das pessoas que vivem com o HIV e o laboratório público Farmanguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, lutam desde 2006 para que o País não conceda patente ao Tenofovir. Até ontem (9/4), no entanto, elas não tinham sido informadas sobre a decisão. "Se for isto, é algo muito animador", disse Gabriela Chaves, do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Rede Brasileira pela Integração dos Povos. Chaves diz que a legislação dá prioridade na avaliação, pelo INPI, de pedidos de patentes de produtos que, por ato do Executivo, sejam declarados de interesse público. Anteontem o INPI deu 90 dias à Gillead para apresentar explicação sobre o pedido de patente.
Reportagem: Lígia Formenti e Fabiane Leite , O Estado de São Paulo

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O CONTESTADOR FARIA 50 ANOS

Cazuza faria 50 anos nesta sexta-feira (4/4). O cantor foi uma das personalidades mais marcantes da geração 80 do rock nacional e primeiro artista brasileiro a admitir publicamente que estava com Aids.

TRÊS momentos do músico: na sua festa de 28 anos, em um momento da doença e na polêmica capa da revista VEJA


O músico, morto em 1990, ganhou lugar no primeiro time dos compositores brasileiros como o autor de dezenas de hits que fizeram a trilha sonora da década de 80, como Bete Balanço, Exagerado e Brasil, seja no Barão Vermelho -banda que integrou até 85- ou em carreira solo.

Fã de Dolores Duran, Cartola, Lupicínio Rodrigues e outros medalhões da velha guarda, Cazuza injetou no rock, por meio de suas letras, a melancolia de seus ídolos, e deu uma identidade roqueira à dor-de-cotovelo.

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, filho de um divulgador da gravadora Som Livre, João Araújo (que viria a se tornar presidente da empresa), Cazuza cresceu cercado por artistas da MPB, como Elis Regina, Jair Rodrigues e os Novos Baianos, que freqüentavam sua casa.

Na adolescência, Cazuza conheceu o rock de Janis Joplin, Rolling Stones e Jimi Hendrix, que logo combinou em baladas de sexo e drogas. Cansado de ter de buscar o filho na delegacia, o pai acabou por arrumar-lhe um emprego no departamento artístico da Som Livre.

Depois de passagens por diversos empregos, um curso de fotografia na California, e um grupo de teatro, em 1980, aos 23 anos, Cazuza -ou Caju, como era conhecido pelos amigos- entrou para o Barão Vermelho.

Cazuza foi apresentado a Roberto Frejat e os outros integrantes do Barão por um amigo comum, o cantor Léo Jaime, que sabia que os rapazes procuravam um vocalista. Encontraram mais do que isso: Cazuza deu ao grupo sua voz e suas letras.

O primeiro disco da banda, ''gravado em 48 horas'', não emplacou, mas a dupla Frejat e Cazuza percebeu que estava no caminho certo quando Caetano Veloso incluiu a música Todo Amor que Houver Nessa Vida em um show seu.

O disco seguinte foi impulsionado pelos sucessos Pro Dia Nascer Feliz -também gravado por Ney Matogrosso- e Bete Balanço, trilha do filme homônimo, de Lael Rodrigues, que trazia Débora Bloch no papel da personagem principal.

Maior Abandonado, terceiro disco do grupo, rendeu ao Barão seu primeiro disco de ouro, mas trouxe também os primeiros atritos entre Cazuza e os outros integrantes da banda.

Prestes a entrar em estúdio para gravar o quarto disco, Cazuza pulou fora da banda. Segundo o cantor, que se sentia insatisfeito com seu papel como vocalista do grupo, o fato foi bom para os dois lados: ''A dor acabou, continuei superamigo deles, minha parceria com o Frejat ficou melhor ainda''.

A partir de 1985, como artista solo, Cazuza lançou cinco discos em quatro anos. O primeiro sucesso, Exagerado, tornou-se um ''cartão de visitas'' dessa nova fase de sua carreira.

Brasil, tema de abertura da novela Vale Tudo, na voz de Gal Costa, foi também um grande sucesso do compositor em 88.

Em 1989, Cazuza admitiu publicamente ser portador do vírus do HIV, numa época em que havia ainda poucas opções de tratamentos para a Aids, e todas pouco eficientes.

O cantor morreu precocemente aos 32 anos, no dia 7 de julho de 1990, depois de uma série de internações no Brasil e no exterior, vítima de complicações de saúde ocasionadas pelo HIV.

No mesmo ano, a mãe do cantor, Lúcia Araújo, fundou a Sociedade Viva Cazuza, de apoio a crianças portadoras do vírus HIV, que funciona no Rio de Janeiro.

Em 2004, chegou aos cinemas o filme Cazuza - O Tempo Não Pára, dirigido por Walter Carvalho e Sandra Werneck, sobre a vida do cantor e compositor.

Em junho de 2005 foi lançado o disco O Poeta Está Vivo, com uma gravação ao vivo do cantor no Rio de Janeiro, em 1987.

Fonte: Uol

segunda-feira, 31 de março de 2008

AIDS: SEM MEDO DA MORTE, JOVENS SE DESCUIDAM

Número de casos aumentou entre gays de 13 a 24 anos; para especialistas, coquetel não é 100% eficaz

São Paulo. Quando começou a freqüentar boates gays, aos 18 anos, o estudante de Direito T., de 21 anos, recebeu da mãe, uma psicóloga de classe média, uma caixa de preservativos e o conselho:
- Sexo é bom. Transe com quem quiser, mas só com camisinha.

Nos “dark-rooms” (salas escuras onde os freqüentadores das boates fazem sexo livremente), tanto os preservativos quanto o conselho foram ignorados.
- Ninguém usava. Eu queria me enturmar e não usava também. Aquela caixa durou uns cinco meses. Às vezes eu usava só na primeira transa, depois esquecia – disse T.

Em abril do ano passado, T. passou a engrossar as estatísticas do Ministério da Saúde. Em um exame de rotina, ele descobriu que tinha Aids. Segundo o ministério, o percentual de homossexuais com idade entre 13 e 24 anos contaminados pelo HIV cresceu assustadoramente nos últimos 10 anos, de 26% em 1996 para 41% dos 32 mil novos casos registrados em 2006.
Segundo médicos, ativistas e homossexuais ouvidos pelo GLOBO, o recrudescimento da epidemia entre os jovens homossexuais tem um motivo claro: os jovens gays não viram seus amigos morrendo – como a geração anterior viu – e se tornaram sexualmente ativos quando o uso do coquetel anti-Aids já estava disseminado. Por isso, simplesmente relaxaram no uso do preservativo.

- Quem tem entre 30 e 40 anos viveu os anos 80, viu as pessoas morrendo. Eu nasci no boom da AIDS (1983) e, quando comecei a ter consciência, a epidemia já estava controlada, não era uma coisa tão devastadora, fatal. Eu não vi o Cazuza na capa de “Veja” (em 1989). Os jovens perderam o medo da doença e deixaram de se prevenir. Para eles, a Aids não é nenhum bicho de sete cabeças – diz o jornalista e ativista gay Erik Galdino, de 24 anos.

Ministério faz campanha

Os relatos e o aumento no número de casos contradizem as pesquisas de opinião, segundo as quais o uso de preservativos tem aumentado.

- Com certeza tem uma grande parcela que não usa camisinha e não assume. Além disso, é preciso levar em consideração os métodos das pesquisas. Será que as pessoas usam em todas as relações, inclusive com os namorados? - pergunta Galdino.

O avanço da doença entre jovens gays fez com que o Ministério da Saúde divulgasse na semana passada a primeira campanha voltada exclusivamente para o público homossexual sob o slogan “Faça o que quiser, mas faça com camisinha”.

De acordo com a reportagem, uma rápida pesquisa em sites de encontros gays na internet mostra que a procura por sexo sem camisinha é grande. Em um destes sites, a reportagem entrou em contato, em menos de meia hora, com cinco rapazes que procuravam parceiros para uma relação sem preservativo. Perguntado se não tinha medo de ser contaminado, um deles respondeu:
- Hoje em dia tem o coquetel de graça. Ninguém morre de Aids no Brasil, não.

A verdade é outra. Desde 1998, com o vigor da lei que obriga o estado a fornecer gratuitamente medicamentos para o tratamento, o número está estabilizado em aproximadamente 11 mil por ano. Mas a Aids continua sendo uma das maiores causas de mortes por doenças no Brasil. Em 2006, o índice foi de 17,5 óbitos para cada cem mil habitantes. O Brasil contabiliza 474 mil casos notificados desde 1980, mas a estimativa é que cerca de 600 mil já tenham sido contaminados.

O coquetel, além de trazer efeitos colaterais como o acúmulo de gordura na barriga e maior propensão a doenças vasculares, não é 100% eficaz.

Pesquisa realizada no ano passado pela infectologista Flavia Andrade Ribeiro em 891 prontuários do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais mostra que apenas 39% dos pacientes prosseguem com o primeiro regime de medicamentos após dois anos de tratamento.

Os outros 61% não se adaptaram aos efeitos colaterais ou o coquetel não teve efeito sobre seus organismos.

- Isso é muito grave. O primeiro coquetel (AZT, 3TC e EFZ) é recomendado pelo Ministério da Saúde porque tem mais eficácia por mais tempo. Quando ele não funciona, temos que tentar outros medicamentos que podem não ter a mesma eficácia ou provocar mais efeitos colaterais – disse a infectologista mineira.
Além dos reflexos físicos, a contaminação causa uma série de efeitos devastadores nos doentes.

- Nas festas e baladas, todo mundo diz que a Aids é uma doença controlável, como a diabetes ou qualquer outra. Mentira! Minha vida afetiva acabou. Tenho medo de beijar alguém e passar a doença. Aqueles mesmo amigos que diziam que não tinha perigo transar sem camisinha agora me olham atravessado – diz T.





Fonte: Jornal O Globo, de 30/3/08
Reportagem: Ricardo Galhardo

quarta-feira, 26 de março de 2008

MINISTÉRIO DA SAÚDE LANÇA PLANO DE COMBATE À AIDS ENTRE GAYS HSH E TRAVESTIS


Pela primeira vez, o Ministério da Saúde lançou um plano de ações para conter a incidência da aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis entre gays, homens que fazem sexo com homens (HSH) e travestis. Durante o lançamento, nesta terça-feira (25), o ministro José Gomes Temporão reforçou a importância da medida. “É fundamental reconhecer a magnitude da aids entre essa população e priorizar ações efetivas nessa área”.


O plano tem oito objetivos para gays e outros HSH e seis para travestis. No documento, são priorizados temas como a redução das vulnerabilidades associadas à orientação sexual, a garantia do acesso à prevenção da aids, a ampliação de informações sobre essa população e a garantia de ações nas três esferas de governo. Estudos de comportamento sexual do Ministério da Saúde indicam que gays e HSH têm 11 vezes mais chances de serem infectados pelo HIV do que homens heterossexuais.


Na ocasião, também foi lançada ação educativa para esse público específico. O material gráfico enfoca a linguagem e a identidade da população definida como público-alvo. Cartazes e folhetos serão distribuídos em bares, boates, festas e espaços de freqüência gay, além de organizações da sociedade civil que trabalham com o público.


Respeito – Entre os fatores de vulnerabilidade abordados no plano estão o desrespeito aos direitos humanos, à orientação e à identidade sexual; as dinâmicas dos espaços de sociabilidade típicos desse grupo (pontos de pegação, cinemas, saunas, parques e banheiros públicos) e a prevenção entre parceiros.


Keila Simpson, representante da Associação Nacional de Travestis (ANTRA) e uma das colaboradoras do Plano, explicou que as travestis precisam de apoio para reduzir o preconceito e a discriminação que as envolve. “Travesti não é homem nem mulher e isso precisa ser respeitado. É muito bom poder discutir abertamente este tema com um governo que nos ouve”. Em janeiro, pela primeira vez, um grupo de travestis foi recebido pelo ministro da Saúde.


O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Toni Reis, também elogiou o plano e lembrou a realização da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (GLBT), que será em maio, em Brasília. “O Ministério da Saúde tem se mostrado extremante sensível à nossa causa e isso é um avanço. Estamos saindo do armário. Este é o caminho para atingirmos a cidadania plena”. Toni ainda destacou o incentivo do Ministério às ações de prevenção nas paradas do orgulho GLBT em todo o Brasil.


Epidemiologia – Segundo o Boletim Epidemiológico, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, nessa categoria de exposição, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).


A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas Sexuais (PCAP), de 2004, estima que a população gay e HSH brasileira de 15 a 49 anos em 3,2 % da população ou cerca de 1,5 milhão de pessoas. A partir dessa base populacional, a PCAP calculou a taxa de incidência da aids desse segmento em 226,5 casos por grupo de 100 mil habitantes, cerca de onze vezes maior que a taxa da população geral, que é de 19,5 casos por 100 mil.
Fonte:
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa

sábado, 22 de março de 2008

FILMES PORNÔS GAYS SÃO RECOLHIDOS APÓS ESCÂNDALO DE HIV


Filmes pornográficos voltados ao público homossexual foram retirados de circulação na Europa depois que a investigação de um programa jornalístico revelou os riscos da chamada pornografia "bareback" --que consiste na prática sexual sem o uso de preservativo.

Dois dos títulos traziam cenas filmadas na França na qual oito atores britânicos mantinham relações sexuais entre si sem usar camisinha.

Segundo a reportagem do programa "Newsnight", transmitido pelo canal de televisão BBC 2, quatro dos atores que participaram dos filmes foram diagnosticados como soropositivos logo depois das filmagens.

Um deles disse à BBC que estava angustiado pela venda das imagens que, segundo ele, mostravam o momento em que foi infectado.

A reportagem do programa Newsnight entrou em contato com as produtoras dos filmes, que afirmaram que iriam retirar os títulos das prateleiras, mas não comentaram sobre o caso das infecções.

Além disso, depois da investigação, a principal produtora britânica de filmes pornográficos "bareback", a Icreme, afirmou à BBC que somente irá produzir filmes nos quais os modelos aparecem usando camisinha.

O episódio ilustra a preocupação recente da comunidade homossexual no Reino Unidos com a infecção de atores de filmes pornográficos pelo vírus HIV.

A expressão "bareback", que significa cavalgar sem sela, surgiu na década de 90 quando um grupo de americanos começou um movimento contra o uso de camisinha. No Reino Unido, houve uma explosão dos filmes do gênero nos últimos quatro anos e os títulos "bareback" já representam 60% do mercado homossexual.

Riscos

De acordo com especialistas em saúde, o sucesso dos filmes pornográficos deste tipo é um sinal de complacência da sociedade em relação aos riscos do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, que se reflete no aumento de novas infecções no Reino Unido.

Ceri Evans, conselheira de saúde sexual do hospital Charing Cross, em Londres, disse ao programa "Newsnight" que há uma possibilidade de estar acontecendo uma fadiga da camisinha.

"Nós estamos falando de camisinha há tanto tempo que as pessoas já estão entediadas ou pensam que já sabem tudo sobre proteção. A educação (sexual) nas escolas não é o que poderia ser para ninguém, nem para os heterossexuais e especialmente se você é gay", disse Evans.

O sucesso dos filmes pornográficos homossexuais nos quais os atores não usam camisinha é uma preocupação para muitos gays que passaram pelas décadas 80 e 90 --período de explosão do HIV.

Nos Estados Unidos, um dos principais diretores de filmes pornográficos, Chi Chi Larue, iniciou uma campanha contra os filmes "bareback".

"Depois de tudo o que a comunidade gay passou, por que estamos colocando as pessoas em riscos pelos filmes pornôs?", diz o diretor em um comercial cujo objetivo é persuadir as pessoas a boicotarem os títulos desta categoria.

No Reino Unido, a campanha contra os filmes bareback é liderada pelo diretor Steven Brewer.

Ele está promovendo a assinatura de um novo código de conduta entre produtores e atores de filmes pornográficos feito para reduzir os riscos na indústria pornográfica homossexual.

"Eu não quero outro modelo de 18 anos chorando nos meus ombros sem saber como vai contar aos pais ou ao parceiro que ele é HIV positivo", disse Brewer ao programa "Newsnight".

O programa sobre o escândalo envolvendo casos de Aids na indústria pornográfica gay no Reino Unido FOI transmitido pela BBC 2 na quarta-feira, 9 de março.



MADELEINE HOLT, da BBC

terça-feira, 18 de março de 2008

O COQUETEL DO DIA SEGUINTE

Jovens que fazem sexo sem proteção agora recorrem ao uso profilático de remédios contra a Aids

O economista Adriano Abramavicus, de 30 anos, só se deu conta da bobagem ao voltar para casa, com o dia amanhecendo. Movido a vodca com energético, ele acabara de fazer sexo sem proteção com uma total desconhecida, de quem nem lembra o nome. Os dois se atracaram numa festa rave, em São Paulo. "Fiquei preocupado por ter transado sem camisinha, mas não entrei em desespero: lembrei dos remédios e, no ato, senti um conforto na alma."

Abramavicus já havia passado por situação semelhante e, como forma de prevenir a possível contaminação pelo vírus HIV, foi orientado por seu médico a tomar o coquetel anti-Aids. Depois da nova imprevidência, lá estava ele outra vez, tomando seis comprimidos diários e enfrentando os terríveis efeitos colaterais da medicação - depressão e dores no estômago, principalmente.

Jovens como Abramavicus começam a aparecer com freqüência nos consultórios de infectologistas. Em sua maioria, são homens entre 20 e 30 anos. Eles vão para a balada, bebem demais e, quando caem em si, é tarde demais: fizeram sexo sem proteção. Aí correm em busca do coquetel anti-HIV, para evitar uma eventual infecção.

A facilidade com que essas pessoas se expõem à Aids é reflexo direto dos avanços no tratamento da doença. Em seus primórdios, no início dos anos 80, a contaminação pelo HIV representava uma sentença de morte.

Entre o diagnóstico e a fase terminal, transcorriam apenas seis meses. Atualmente, com a detecção precoce do vírus e o uso correto de medicamentos potentes, a Aids pode ser enfrentada como uma doença crônica.

"Os jovens de hoje não testemunharam os estragos causados pelo HIV vinte anos atrás e, por esse motivo, não se assustam tanto com a doença", diz o infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O uso profilático do coquetel anti-Aids remonta a meados dos anos 90.

Inicialmente era destinado apenas a profissionais de saúde que entravam acidentalmente em contato com o vírus. Agora, tornou-se uma panacéia para marmanjos arrependidos de suas noitadas. A medida visa a impedir quanto antes a proliferação do HIV no organismo. Por esse motivo, o coquetel deve ser administrado até 72 horas depois da contaminação.

Ainda não se sabe o grau de eficácia do uso profilático do coquetel por quem se expôs sexualmente ao HIV. Não há nenhum estudo conclusivo sobre o assunto. O que existe são pesquisas um tanto limitadas com mulheres vítimas de estupro. Em todas elas, as participantes que receberam a medicação não desenvolveram a doença.

O problema é que é muito difícil saber se o agressor era portador ou não o vírus da Aids. Os trabalhos mais rigorosos são os que envolvem os profissionais de saúde. Nesses casos, as taxas de sucesso chegam a 80%. Alguns médicos não se sentem confortáveis para prescrever o coquetel profilático.

"A garotada já não usa a camisinha como deveria, e tenho muito receio de que a popularização dessa terapia se transforme numa opção ao sexo seguro", diz o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Há de se levar em conta, também, que recorrer aos remédios anti-Aids não é tão simples quanto tomar um comprimido para dor de cabeça. A profilaxia prevê de dois a seis comprimidos diários, ao longo de um mês, com efeitos colaterais geralmente devastadores.

"Este não é, em definitivo, o momento de deixar o preservativo de lado", escreveu o médico americano Dan Bowers, num artigo sobre as conseqüências da profilaxia com remédios anti-HIV. É melhor, portanto, não esquecer a camisinha na carteira.

Adriana Dias Lopes
Fonte: Veja