Páginas

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ANTI-RETROVIRAIS TRANSFORMAM AIDS EM DOENÇA CRÔNICA

WASHINGTON (AFP) — O grupo de soropositivos registrou um recuo bastante significativo em sua taxa de mortalidade, que seria comparável ao do restante da população, nos cinco anos que se seguem a sua infecção pelo vírus da Aids, desde o início dos tratamentos com anti-retrovirais, em 1996.
_
De acordo com um estudo divulgado no Journal of the American Medical Association (Jama), nos países industrializados, as pessoas que se tornaram soropositivas em conseqüência de contato sexual parecem ter um risco de mortalidade similar ao da população em geral nos cinco primeiros anos após a infecção. Seu risco de falecer cresce, porém, depois desse período, afirmam os autores do trabalho.
_
Vários estudos relataram a baixa espetacular da mortalidade entre as pessoas infectadas pelo vírus HIV desde a entrada, no mercado, em 1996, de terapias anti-retrovirais eficazes nos países industrializados.
_
Um grupo de pesquisadores, liderado pelo Dr Krishnan Bhaskaran, do "Medical Research Council Clinical Trials Unit", em Londres, analisou a evolução da mortalidade de 16.534 soropositivos comparativamente à da população em geral não-infectada, entre 1981 e 2006.
_
Nesse grupo de soropositivos observados por 6,3 anos (em média) após o início de sua infecção, a taxa de mortalidade excessiva em relação ao percentual normal para mil pessoas/ano (o número de pessoas no estudo multiplicado pelo número de anos de acompanhamento por indivíduo) era de 40,8/mil, antes do surgimento das terapias anti-retrovirais em 1996.
_
Depois, essa taxa de mortalidade diminuiu a cada ano até chegar a 6,1 (em mil) em 2004-2006, ou seja, um índice comparável ao de pessoas não-infectadas.

domingo, 22 de junho de 2008

“PREVENÇÃO É PARA TODOS E NÃO SÓ PARA PORTADORES DO HIV”, DIZ ATIVISTA HUGO HAGSTRÖM

“Agora aparece um projeto de lei penalizando quem transmitir o HIV e classificando como crime hediondo. Prevenção é para todos e não só para portadores do HIV”, protestou o ativista Hugo Hagström, do Grupo de Incentivo à Vida, sem citar o número do projeto. Esta foi uma das reclamações em depoimento realizado no fim da tarde desta quinta-feira (19) no IV Fórum Brasileiro de Aids e no II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo.
_
Hugo traçou um breve histórico sobre o ativismo, a epidemia de Aids brasileira e a chegada dos anti-retrovirais no Sistema Único de Saúde. “Foi necessário o movimento entrar na justiça para conseguir os remédios. Não foi uma iniciativa unilateral do governo como muitos acreditam”, disse.
_
Segundo o ativista, houve dois lados da chegada dos anti-retrovirais: um positivo e um negativo. “Foi ótimo saber que passaríamos de portadores de uma doença letal para uma doença crônica. Mas, isso materializou o HIV para quem necessita de privacidade e não quer revelar seu status”, explicou o ativista sobre o preconceito que um portador do vírus pode sofrer em ambientes de trabalho ou sociais ao ter que portar os medicamentos.
_
Para ele, o maior desafio é a adesão ao tratamento. “Ela é diária, não é uma etapa que quando vencida está eliminada”, ressaltou.
_
Outro problema apontado por ele é o emprego. “Se por um lado a Previdência Social diz que estamos aptos a trabalhar, por outro as empresas não querem nos contratar”, disse, afirmando que a testagem compulsória de HIV, sem consentimento do indivíduo, ‘rola solta’ no Exército, Marinha e Aeronáutica, além de outras empresas privadas.
_
No fim, o ativista também disse que falta humanização com os médicos e reclamou dos baixos salários que profissionais de saúde recebem no Sistema Único de Saúde.
_
Hepatite C - Já Jeová Fragoso, ativista da Hepatite C da ONG Grupo Esperança, contou que na sua instituição há três óbitos por mês por causa das hepatites. Depois, explicou os entraves técnicos e burocráticos na área dentro dos serviços de saúde, citando principalmente os problemas para realizar exames como o PCR. “Isso prejudica demais o indivíduo que descobre-se portador da hepatite C e é obrigado a seguir uma série de procedimentos. Muitos pensam, ‘estou bem, para quê o tratamento?’”, explicou, dizendo que a maioria abandona o tratamento. Também citou que uma das maneiras de ir atrás do direitos é entrar com ação na justiça.
_
No final da apresentação, disse que 40% dos soropositivos possuem infecção por hepatites B ou C. “O modelo de controle da Aids deve servir para a hepatite. Não devem existir bairrismos entre as duas patologias”, disse.
_
Rodrigo Vasconcellos, de Santos
Fonte: Agência de Notícias da Aids

domingo, 15 de junho de 2008

FIOCRUZ ANUNCIA ESTUDO DE PREVENÇÃO AO HIV

O Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - IPEC, da FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz, anunciou, esta semana, o início de uma nova pesquisa clínica de prevenção ao HIV, vírus que causa a AIDS. A pesquisa é chamada IPrEx - Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição.
_
A profilaxia pré-exposição (PrEP), terapia utilizada para prevenir mais do que tratar uma infecção ou doença, é uma estratégia sendo estudada pelo NIH (National Institutes of Health – Ministério da Saúde Americano) como parte dos esforços para desenvolver novos métodos de prevenção. Em estudos com macacos, o tratamento com drogas antiretrovirais para o HIV reduziu significativamente a contaminação entre macacos expostos à variedade símia do HIV. Em seres humanos, o HIV também se mostrou vulnerável a esse tipo de intervenção pré-contaminação. O tratamento antiretroviral durante o parto, de uma mãe infectada como HIV, reduz em aproximadamente 75% a probabilidade de contaminação do bebê. O tratamento com drogas anti-HIV também pode reduzir significativamente o risco de infecção quando realizado imediatamente após a exposição ao vírus.
_
O estudo IPrEx, uma Iniciativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) é um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (US NIH) e Fundação Bill & Melinda Gates e pode ajudar a prevenir a infecção pelo HIV em pessoas com alto risco de contaminação, quando combinado com a prática de sexo seguro, aconselhamento e o uso de preservativos. Este estudo está sendo conduzido por uma equipe de pesquisadores altamente qualificada no Brasil, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Equador.
_
O estudo incluirá 3000 homens saudáveis, sexualmente ativos e HIV-negativos, que fazem sexo com homens (HSH) e que têm alto risco de contaminação pelo HIV. Os voluntários em potencial serão submetidos a uma longa entrevista para assegurar que eles compreendam o estudo e que sua participação seja totalmente voluntária. Os voluntários serão cuidadosamente monitorados ao longo do período de 18 meses do estudo e por mais seis meses após o seu término.
_
Estima-se que os dados do estudo IPrEx estejam disponíveis em 2010.
_
Para melhores informações: www.iprex.com.br, entre em contato pelo email iprex@iprex.com.br ou ligue grátis para 0800-28-47739.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CONFERÊNCIA GLBT É A PRIMEIRA A RECEBER APOIO GOVERNAMENTAL

O presidente Lula segura a bandeira do arco-íris, que representa o movimento GLBT, ladeado da primeira-dama Marisa Letícia, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi

A Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), que começou ontem (5) à noite em Brasília, é a primeira do Brasil e do mundo realizada com apoio governamental. Cerca de mil pessoas debatem o tema direitos humanos e cidadania. A conferência foi precedida de encontros regionais que discutiram políticas públicas para o setor.
_
O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, disse que políticas públicas são necessárias para combater o preconceito e a discriminação tanto nas instituições quanto na sociedade. "O preconceito existe, é na família, na comunidade, no local de moradia. É preciso trabalhar em todas as áreas e também nas instituições. Os três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - têm que estar juntos nessa mesma política discutindo com a sociedade de maneira articulada”.
_
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Cipriano lembrou que quando um evento, como a conferência, tem o apoio do Estado, ele pode avançar e alcançar outros setores públicos ou da sociedade. “Na medida em que o Estado se propõe a discutir, debater e encaminhar políticas, há um aspecto positivo; naturalmente ainda tem preconceito. É preciso ter leis adequadas, o Judiciário todo ainda está acompanhando e ajudando nesse sentido.
_
O subsecretário disse ainda que já existe uma mobilização grande no Brasil em torno do tema. Ele citou como exemplo a parada gay de São Paulo, com a participação de 3,5 milhões de pessoas, considerada a maior manifestação cívica no país. "Ali estão gays, lésbicas, travestis e transexuais, mas ali são pais e mães heterossexuais. A humanidade tem algumas questões a serem resolvidas para que a gente consiga uma democracia plena, a homofobia (aversão ou discriminação contra homossexuais.) é extremamente grave e precisa ser combatida".
_
Sobre o caso do sargento preso depois de assumir a homossexualidade, Cipriano acredita que não existe nenhuma instituição homofóbica. “Não creio que exista uma instituição que seja homofóbica. Acho que é preciso conhecer de perto esses acontecimentos e trabalhar muito, é fundamental que se tenha o diálogo, não se combate intolerância com intolerância. No Brasil, há muito violência contra homossexuais, muitas vezes de pessoas com as quais eles convivem."
_
O conjunto de sugestões aprovadas na conferência deve ser incluída no Plano Nacional de Cidadania da GLBT. “ Isso se dará se a sociedade estiver mobilizada. É isso que permite ter avanço e consolidar políticas. O Brasil já avançou muito, mas não podemos ter a visão de que está tudo resolvido.Essa conferência vai se refletir em todo o mundo. Muitos países estão aqui como observadores."
_
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. A uma platéia formada por homossexuais, o presidente fez uma revelação sobre as suas viagem oficiais pelo mundo. "Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país", disse.
_
Lula: 'Conheço figuras importantes que não assumem o homessexualismo'
"Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: “no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo”. Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história", emendou.
_
"Conheço o preconceito nas minhas entranhas"
_
Lula disse ainda que conhece o preconceito nas entranhas e defendeu a criação de um Dia de Combate à Hipocrisia: "Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, tudo ajuda, mas é um processo cultural".
_
O presidente não escondeu, porém, o desconforto de colocar na cabeça um boné do movimento gay, oferecido pelo travesti Fernando Bevenute.
_
Fonte: Jornais O Globo / O Dia - RJ
Foto: Agência Brasil

domingo, 25 de maio de 2008

SP DISTRIBUIU 1,5 MILHÃO DE PRESERVATIVOS NA PARADA GAY

O Programa Municipal de DST/Aids, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, distribuiu 1,5 milhão de preservativos durante a 12ª Parada GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), realizada hoje. Cerca de 300 técnicos e agentes de prevenção em DST/Aids fizeram a entrega dos preservativos. Cinco tendas foram instaladas pelo Programa Municipal de São Paulo ao longo da Avenida Paulista para dar suporte à atividade, que já se tornou uma tradição no evento.

A Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, considerada a maior do mundo, contabilizou pelo menos 3,5 milhões de participantes neste ano. O evento, organizado pela Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (APOGLBT), tornou-se um espaço privilegiado de defesa da diversidade sexual e para o estabelecimento de uma aliança estratégica e novas parcerias entre programas governamentais de DST/Aids, movimento homossexual e movimento de luta contra a Aids. Em 2008, o tema da Parada GLBT de São Paulo é “Homofobia mata! Por um Estado laico de fato".

sábado, 24 de maio de 2008

RISCO DE AIDS ENTRE OS HOMOSSEXUAIS AINDA É 11 VEZES MAIOR

USE CAMISINHA!

1982: É identificado o primeiro caso de Aids no Brasil.
1983: Morre em Nova York o estilista mineiro Markito, 31 anos, primeira pessoa pública do país a morrer por causa da Aids.

Naquele início dos anos 80, a doença era chamada de 'câncer' gay e muita gente tinha receio de apertar a mão de homossexuais e pegar a doença.
2008: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem hoje com o vírus HIV. Por dia, 6.800 pessoas são infectadas e 5.700 morrem por causa da doença.
Há muito caiu o preconceito. Houve o que a comunidade médica classifica como desomossexualização da doença.
Mas, ainda assim, os gays representam ainda 30% dos doentes em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No Brasil, estima-se que 620 mil pessoas vivem com o HIV. Segundo dados do Grupo Pela Vidda, 180 mil pessoas fazem atualmente tratamento para controle da doença.
- O avanço da medicina e a disponibilidade de medicamentos na rede pública tornaram a Aids uma doença crônica, como a diabetes ou a hepatite. Ela já não é mais associada à morte, diz Mario Scheffer, doutor em medicina preventiva e integrante do Grupo Pela Vida.
Há, porém, a outra face da moeda. Segundo a avaliação de Scheffer, na medida em que a Aids deixou de ser uma doença associada a grupos de risco, se alastrando entre os heterossexuais, houve na sociedade um certo grau de negligenciamento da epidemia entre os homossexuais.
Os mais velhos, que viram amigos morrer vítimas da doença, mantêm a preocupação com o uso constante de preservativos nas relações sexuais. Entre os mais jovens, há um certo relaxamento.
- O conceito de grupo de risco foi eliminado na década de 90. Ao mesmo tempo em que serviu para acabar com o preconceito, teve o efeito de afastar os homossexuais da prevenção. Houve paralisação e redução das ações e campanhas voltadas para este público inclusive pelas ONGs, que tiveram papel fundamental na mobilização da década de 80, afirma Scheffer.
O resultado é um recrudescimento da doença entre os mais jovens. Enquanto entre os homossexuais com mais de 30 anos há uma redução da taxa de incidência, a Aids aumentou no público adolescente e jovem.
O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revela o aumento. Em 1996, 24% dos homossexuais com Aids tinham entre 13 e 24 anos. Em 2006, este percentual pulou para 41%. Na faixa etária de 25 a 29 anos, variou de 26% para 37% no período.
A Aids é um problema de saúde pública que afeta a todos, indistintamente, mas não se pode deixar de alertar que os homossexuais são 11 vezes mais vulneráveis à doença do que os heterossexuais.
- A incidência da Aids no público homossexual é de 226,5 casos para cada 100 mil, 11 vezes mais do que a taxa da população em geral, que é de 19,5 casos por 100 mil habitantes, explica Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Programa DST/Aids do governo federal.
O vírus da Aids não escolhe sexo ou lugar para atacar.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a Aids está presente em 86% das cidades brasileiras, mas é nos grandes centros que a maior parte dos casos se concentram. A capital paulista responde, sozinha, por 25% dos casos de todo o país.
- A grande história hoje é como voltar a priorizar a prevenção para este publico sem permitir que retome o preconceito, explica Scheffer.
Até quando o sistema será capaz de bancar o custo do tratamento da Aids?
Esta é a pergunta que se faz o médico Mário Scheffer. Hoje, o Ministério da Saúde desembolsa R$ 1,4 bilhão por ano para tratar de seus 180 mil doentes.
No total, 18 medicamentos que compõem os coquetéis destinados ao tratamento da Aids estão disponíveis na rede pública de saúde. Destes, apenas oito são fabricados no país.
Os demais são protegidos por patentes. No ano passado, pela primeira vez, o Brasil quebrou a patente do Efavirenz , um dos retrovirais usados no coquetel anti-aids.
Até 1996, as alternativas de medicamentos eram poucas e apenas a oferta do AZT era garantida. Agora, os doentes podem contar com medicamentos muito mais potentes.
- A Aids se tornou uma doença de caráter crônico. Tem cada vez mais pacientes dependendo do tratamento e com expectativa de vida maior. É um sério problema de saúde pública, diz Scheffer.
Eduardo Barbosa, do Ministério da Saúde, afirma que a quebra de patentes não é o único caminho e que o país caminha para aumentar a produção local, o que barateia custos. Além disso, assegura, as negociações de preços têm avançado.
Reconhecido pela ampla cobertura no tratamento dos doentes, o Brasil ainda registra por dia 30 mortes pela doença.
- É como se um ônibus lotado caísse em um precipício todo dia sem que se torne notícia, afirma Scheffer.
Assim como ocorre com doenças como a tuberculose, a Aids tem como divisor de águas a pobreza. Nada menos do que 43% das pessoas com Aids chegam tardiamente ao serviço de saúde.
Poucos fazem o teste para para saber se é HIV positivo. Sem ele, os soropotivos não conseguem se beneficiar desde cedo pela modernidade do tratamento. Sem ele, correm o risco de transmitir a doença.

terça-feira, 20 de maio de 2008

MAIS DE 50% DOS JOVENS GAYS ABREM MÃO DA CAMISINHA POR CAUSA DO PARCEIRO, DIZ PESQUISA

Uma pesquisa da organização não-governamental Arco-íris, do Rio de Janeiro, mostrou que 51,6% dos jovens gays, entre 14 e 29 anos, abrem mão da camisinha pelo menos em alguma situação em que há dificuldade de negociar o uso do preservativo. O estudo “Juventude Gay, Comportamento e Aids” ouviu 150 pessoas e foi realizado no final de 2007.

Segundo o Ministério de Saúde, no início do ano, a coordenação Nacional de DST/Aids apontou o aumento dos casos de Aids nesse grupo ao lançar o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, Travestis e HSH (homens que fazem sexo com homens, mas que não se assumem como homossexuais). Dos infectados por HIV, na faixa etária entre 13 e 19 anos, os gays, os HSH e os travestis correspondiam a 40% dessa população, em 2005. Em 1999, essa parcela era de 18%.

Os números foram divulgados um dia antes da abertura da 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas GLBT do Rio, que aconteceu nesta sexta-feira (16) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Na ocasião, a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa, Ana Maria Costa, apresenta o documento Saúde da População GLBT, que propõe sensibilizar os profissionais de saúde para as questões de gênero.

Campanha contra a Aids

Em março, o Ministério da Saúde lançou um plano específico de enfrentamento da aids entre gays e travestis. Segundo o Ministério, as medidas tentam atender a antigas reivindicações de organizações não-governamentais (ONGs) e barrar uma tendência preocupante: o aumento de casos da infecção entre homossexuais jovens.
Foram feitos cem mil cartazes adesivos e 500 mil impressos especialmente para o público gay, distribuídos em locais como saunas e bares.

Fonte: Site G1

sábado, 17 de maio de 2008

TRAVESTIS INSULTADOS POR TORCEDORES NO MARACANÃ NO DIA DA LUTA CONTRA A HOMOFOBIA

Um grupo de torcedores, que comprava ingressos no Maracanã para o jogo entre Fluminense e São Paulo, agrediu verbalmente participantes da 1a Conferência de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), no Rio de Janeiro. Os xingamentos foram disparados quando eles passavam perto da bilheteria nº. 8 e se dirigiam ao restaurante popular do Estádio do Maracanã para almoçar.
_
Carlos Eduardo Pinheiro, de 23 anos, morador de Saracuruna, bairro de Duque de Caxias, bem exaltado, dirigiu-se com mais agressividade a dois travestis, Kakau Ferreira (Flávio Ferreira dos Santos Rodrigues), 23, e Andréa Brazil (André Luiz da Costa Silva), 35. Entre os xingamentos desferidos estavam "travas", "travecos", "viados", "putonas" e "Ronaldinho não está aqui", uma alusão ao recente caso envolvendo o atacante do Milan. Indignadas com a situação, as agredidas recorreram a uma dupla de policiais que fazia a segurança do local e o agressor foi detido.
_
"Eu atravessava a calçada do Maracanã e comentava o quanto estava feliz, porque tenho alunos e alunos de todas as idades, entre eles, evangélicos. Todos nos tratam muito bem. Decidimos registrar a queixa como ato simbólico, porque justamente hoje discutíamos políticas públicas contra a homofobia. Homofobia tem que ser entendida como crime", justificou Kakau, que é professora de telemarketing.
_
Antes de os envolvidos terem sido encaminhados à delegacia, houve uma discussão pública entre os participantes da conferência que almoçavam no estádio. A alternativa ventilada era de o agressor pedir desculpas a Kakau e Andréa em voz alta no restaurante e ainda caminhar pela fila da bilheteria do Maracanã portando a bandeira do arco-íris. A decisão foi quase unânime. Carlos Eduardo foi encaminhado para a 18ºDP, na Praça da Bandeira, Centro do Rio, onde foi feito o registro da agressão.
_
Se condenado, o agressor pode ter de cumprir pena alternativa, como o pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários.



1) Andréa Brasil caminha na frente do policial e de Carlos Eduardo, acompanhados por outros participantes da conferência
2) O registro da 18ª Delegacia Policial
3) Ativista repreende o rapaz, sendo observada pelo policial e outros
4) A travesti Andréa Brasil
5) A travesti Kakau Ferreira

Fotos: Jornal O Sexo

sexta-feira, 16 de maio de 2008

GOVERNO DO RJ ANUNCIA CRIAÇÃO DO DISQUE-HOMOFOBIA

Benedita escreve a frase "Com nossas diferenças, manifestamos o nosso amor"
_
O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou, na tarde de hoje, a criação do disque-homofobia em meados de julho deste ano, como declarou a secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva. Benedita esteve presente na 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para GLBT do Rio de Janeiro, representando o governador Sérgio Cabral, no Teatro Odylo Costa Filho, no campus da Uerj, Zona Norte da cidade. Segundo ela, o governo federal está criando uma política de combate à discriminação. “Nosso carro-chefe é construir um centro de referência para criar políticas voltadas para esse público. Em meados de julho instalaremos o disque-homofobia, que será um serviço de ouvidoria para atender o público GLS”, informou. Outra proposta foi a criação de um serviço de apoio a homossexuais dentro da universidade, sugerida pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), como garantiu o presidente da conferência e superintendente de Direitos Individuais, Cláudio Nascimento.

Luzes e cores iluminam a abertura do evento

Iluminado com as cores do arco-íris, o hall de entrada inaugurou a conferência que irá até o dia 18 de maio, e está sendo promovida pelo governo do estado. O objetivo é criar um plano estadual para promover a cidadania e os direitos dos GLBT, além de definir estratégias de implantação do programa “Rio sem homofobia”. Uma das convidadas da mesa de abertura foi a diretora de gestão participativa do Ministério da Saúde, Ana Maria Costa. Segundo ela, o comitê permitiu identificar as necessidades dos GLS. “Os homossexuais estão mais vulneráveis a doenças. Deve haver um acompanhamento desse público, como a importância do uso da camisinha, a não utilização excessiva de silicone, entre outras coisas,” disse.

O diretor social do grupo Arco-íris, Júlio Moreira, afirmou que o Rio de Janeiro tem avançado bastante em relação a homofobia, mas que ainda há muito o que ser feito, como por exemplo nas delegacias.

"Não há no Rio uma delegacia gay, o estado precisa qualificar os profissionais para que eles recebam os homossexuais de forma adequada, sem discriminação," afirmou.

Fonte: Site G1
Fotos: Livia Torres/G1

quarta-feira, 14 de maio de 2008

1ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS GLBT DO RIO DE JANEIRO



O Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, realizará a 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para GLBT do Rio de Janeiro, de 16 a 18 de maio, na cidade do Rio de Janeiro. A conferência acontecerá no Teatro Odylo Costa Filho, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e nas instalações da própria universidade (R. São Francisco Xavier, 524, Maracanã).

Os objetivos da 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para GLBT do Rio de Janeiro são: (1) discutir e propor as diretrizes para a implementação de políticas públicas e o Plano Nacional e Estadual de promoção da cidadania e direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (GLBT), (2) avaliar e propor estratégias para implantar o Programa Estadual “Rio Sem Homofobia”, (3) avaliar e propor estratégias para fortalecer o Programa “Brasil Sem Homofobia” e (4) eleger os delegados/as do Estado do Rio de Janeiro para Conferência Nacional.

A 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para GLBT do Estado do Rio de Janeiro será presidida pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos que poderá fornecer maiores informações. Para isso, entre em contato com a Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, nos telefones (21) 2299-5391 e 2299-5402 ou e-mail conferenciaglbtrio2008@gmail.com.

Os organizadores contam com a participação da sociedade civil organizada e dos entes municipais e estaduais do Poder Público na Conferência Estadual, colaborando assim na construção de políticas públicas de direitos humanos e de combate à discriminação e à violência contra GLBT.

A Programação da conferência inclui:

16/5 - 16h30min - Cerimônia de abertura, com a presença do Governador Sérgio Cabral Flho, da Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, do Reitor da Uerj, Ricardo Vieira Alves, do Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Jose Carlos Murta Ribeiro, do Secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, da Vice-Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Yone Lindgren, do Presidente da Conferência Estadual GLBT / Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, de Cláudio Nascimento, entre outros.

16/5 - 18h30min - Painel Panorama Nacional - "Políticas Públicas para GLBT"
16/5 - 20h00min - Programa Cultural - Show com a cantora Leila Maria
__

17/5 - 09h30min - Painel Panorama Nacional - "Discriminações e Violência contra GLBT"
17/5 - 11h45min - Encontros Satélites - "Saúde e Prevenção para Lésbicas e Transexuais"
"Mídia e Aids", "Mídia e Homossexualidade", "Pesquisa Profilaxia Pré-Exposição ao HIV para HSH de Alto Risco", com o Dr. Jorge Eurico Ribeiro, Infectologista e Pesquisador - Fiocruz/RJ, e Sessões de Videos, entre outros
17/5 - 13h30min - "Ato pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia"
17/5 - 16h30min - Lançamento Estadual do "Plano Nacional de Enfrentamento do HIV/Aids junto a Gays, Outros HSH e Travestis" e da "Campanha Nacional de Prevenção às DST/HIV/Aids junto à População de Gays e Outros HSH" - Show com a transformista Lorna Washington
__

18/5 - 09h00min - Grupos de Discussão de propostas do texto base da Conferência Estadual
18/5 - 13h00min - Programa Cultural - Filme: "Eu, Travesti" (Associação de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro - ASTRA-Rio)
18/5 - 16h30min - Programa Cultural - Show com a transformista Magali Penélope
18/5 - 18h00min - Cerimônia de Encerramento - Programa Cultural - Pocket Show com a cantora Elza Ribeiro.