Páginas

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

AIDS NÃO! PROTEJA-SE. USE CAMISINHA!

O que
John Lennon, Fred Mercury, George Clooney, Gwen Stefani,
Cameron Diaz e Brad Pitt
têm em comum?
_
SIDA = AIDS

terça-feira, 19 de agosto de 2008

FIOCRUZ TESTA REMÉDIO QUE PODE PREVENIR CONTAMINAÇÃO POR HIV

200 homossexuais serão cadastrados para pesquisas com o Truvada,

medicamento que já faz parte do coquetel

RIO - A Fundação Oswaldo Cruz iniciou o cadastramento de 200 voluntários homossexuais que irão participar de uma pesquisa mundial para determinar se o medicamento comercializado com o nome de Truvada, já utilizado no coquetel antiaids, pode também prevenir a contaminação pelo HIV.
-
Um estudo publicado em 2006 demonstrou que a droga teve 97% de eficácia para prevenir a infecção pelo HIV em macacos. O Truvada é um medicamento já aprovado pelo Foods and Drugs Administration (FDA, órgão que controla medicamentos nos EUA) que combina em comprimido o tenofovir e a emtricitabina. É usado em vários países, inclusive no Brasil, no tratamento de HIV/Aids.
_
"Há outros modelos de estudos em andamento, mas essa droga é a que se mostrou mais promissora", disse o infectologista do Instituto de Pesquisas Clínicas e coordenador do estudo na Fiocruz, Jorge Eurico Ribeiro.
_
O estudo global está sendo conduzido pela Universidade de São Francisco e é patrocinado pelo National Health Institute, o ministério da saúde norte-americano, e pela Fundação Bill Gates. Reúne 3.000 voluntários de seis países, que serão acompanhados por um ano e meio.
_
O Truvada foi escolhido por ser um medicamento seguro, com poucos efeitos colaterais e já foi utilizado por cerca de 150 mil pessoas. O comprimido será tomado um vez ao dia por metade dos voluntários. A outra metade irá tomar placebo.
_
"Se o número de infecções for menos no grupo que recebeu o Truvada, isso pode indicar que ele é eficaz na prevenção da contaminação. Se o índice de novas infecções for baixo em ambos os grupos, teremos conseguido uma forma de aconselhamento que efetivamente reduziu o risco HIV", explicou Ribeiro, ressaltando que a equipe da Fiocruz está efetivamente comprometida em diminuir os índices de infecção.
_
Durante as 72 semanas da pesquisa, os voluntários serão examinados e farão exames mensalmente, além de responderem a um questionário anônimo sobre o seu comportamento sexual no período. Ribeiro enfatizou que o grupo receberá camisinhas e orientações de como evitar a contaminação.
_
"Vamos acompanhar um grupo de alto risco e cruzaremos as informações que eles nos darão com os exames para chegar ao resultado", explicou Ribeiro. Os voluntários têm de ser homens que façam sexo com homens, tenham no mínimo 18 anos e sejam HIV negativo, saudáveis e sexualmente ativos.
_
O fabricante do Truvada, o laboratório Gilead Sciences está fornecendo os comprimidos para o estudo, mas não participou do desenho, implementação ou aplicação do estudo, informou Ribeiro. "O estudo está totalmente de acordo com padrões éticos e foi aprovada pela Fiocruz e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) do Ministério da Saúde", disse ele.
_
Fonte: Fabiana Cimieri, especial para O Estado de São Paulo

Para maiores informações sobre a pesquisa, entre em contato através de:

email: iprex@iprex.com.br ou ligue GRÁTIS 0800-28-47739

domingo, 3 de agosto de 2008

CONFERÊNCIA AIDS 2008: BRASIL É NOTÍCIA NO MÉXICO

Em um contexto global em que a epidemia global de HIV/aids no mundo começa a mostrar indícios alentadores, o México aparece como un dos países que destinam mais recursos internos à luta contra a doença, revelou o Informe sobre a Epidemia Mundial de Aids 2008. -
_
Considerando somente o gasto nacional, unicamente o Brasil, a África do Sul , e a Federação Russa estão gastando mais para frear a doença, revelou o documento. .O mesmo indica que a infecção foi reduzida de três a 2.7 milhões de pessoas no final do ano passado e as mortes por aids diminuíram para 2 milhões.
-
Elaborado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids), o informe assegura que o futuro da epidemia ainda é “incerto”, pelo que urge intensificar ações preventivas e de tratamento. No mundo há 33 milhões de pessoas que vivem com o HIV, número que traduz uma estabilização da epidemia, mas a um custo alto, porque “o silêncio, o temor e a vergonha” ainda permitem que esta doença se multiplique com estigmas e discriminação.
-
E se a taxa de novas infecções baixou em vários países, no plano mundial esta tendência é compensada em parte pelos novos casos em outros países, sobretudo entre os mais pobres. A metade de todas as infecções pelo HIV correspondem a mulheres, percentagem que tem se mantido estável durante os últimos anos; e em geral se registra um aumento entre os jovens de 15 a 24 anos de idade. O informe destaca que o número de pessoas em tratamento aumentou em um milhão, tendo alcançado um total de três milhões de pacientes que recebem terapia com anti-retrovirais, o que resultou na redução do número de mortes pela aids de 2.2 (2005) a 2.1 milhões (2006) e depois a dois milhões (2007).
_
“Continuam existindo cinco novas infecções para cada duas pessoas que entram em tratamento. Desta forma, fica claro que não estamos contendo a epidemia o suficiente”, disse Paul de Lay, da Unaids. O acesso ao tratamento melhorou muito, no entanto, sem lograr os objetivos mundiais. Segundo a Unaids, em 2007 os programas contra o flagelo dispuseram de 10 bilhões de dólares, 8 bilhões a menos que o necessário.
_
A tuberculose ainda é a causa principal de morte para quem vive com o HIV em países de pobres. No informe, Philippe Lamy, representante da Organização Mundial de Saúde no México, assinalou que a tuberculose triplicou sua prevalência em países com alta incidência de HIV nas últimas duas décadas. Carlos Núñez, representante da Unaids para a América Latina, informou que em 2007 as novas infecções foram estimadas em 140 mil, tanto que o número de pessoas que vivem infectadas chegou a 1.7 milhões. Se estima que naquele ano 63 mil pessoas morreram como consequência de enfermidades ligadas à aids.
_
A epidemia na AL se mantém geralmente estável; a transmissão na região se dá principalmente entre homens que fazem sexo com homens, professionais do sexo e, em menor medida, usuários de drogas injetáveis. Brasil y México têm as mais altas taxas de contágio; o primeiro tem mais de 40 por cento dos casos (730 mil); o México tem mais de 2 mil pessoas HIV-positivas.
_
Números que doem A cada dia cerca de 7 mil 500 pessoas se infectam pelo HIV no mundo, a maioria por contato sexual ou pelo consumo de drogas injetáveis. A África subsaariana continua sendo a região mais afetada pela epidemia. 67 por cento dos casos globais se registram naquela região. A maior incidência também está ligada a mais mortes pela enfermidade. 72 por cento das mortes pela aids ocorrem na África subsaariana.

por Eugenia Jiménez, traduzido por Ygor Dias Moura

Fonte: Jornal Milênio - Cidade do México http://www.milenio.com/mexico/milenio/notaanterior.asp?id=989753

quinta-feira, 31 de julho de 2008

AIDS CRESCE NA CHINA E INDONÉSIA MAS MELHORA NA ÁFRICA, DIZ RELATÓRIO DA ONU

O número de novos casos de contaminação pelo vírus HIV caiu ligeiramente no mundo, em 2007, de acordo com um relatório divulgado na terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para HIV e AIDS (Unaids). Pelo segundo ano consecutivo, caiu também o número de mortos pela epidemia: dois milhões de pessoas em todo o planeta. Mas a notícia ainda está longe de ser considerada boa. De acordo com o órgão, é preciso intensificar a luta contra a epidemia, que atinge 33 milhões de pessoas em todo o mundo - sendo dois milhões de crianças com menos de 15 anos.
_
"Os avanços distribuem-se de forma desigual,
e o futuro da epidemia continua a ser incerto"
_
Segundo estimativa feita pelo órgão, 2,7 milhões de novos casos da doença surgiram no planeta, o equivalente a quase 7.400 novas infecções por dia. A África subsaariana ainda é, de longe, o maior foco de infecção do planeta com 67% dos casos e 72% das mortes provocadas pela doença. Mas o números melhoraram ligeiramente na região, ondem vivem 90% das crianças contaminadas pelo HIV em todo o mundo.
_
"Um aumento de seis vezes no montante gasto com os programa de combate ao HIV em países de baixa e média renda, entre 2001 e 2007, começa a render frutos", afirmou o relatório. "Os avanços, no entanto, distribuem-se de forma desigual, e o futuro da epidemia continua a ser incerto, chamando atenção para a necessidade de intensificar as ações para avançar rumo ao acesso universal à prevenção, ao tratamento, ao cuidado e ao apoio quando se trata do HIV", disse o documento, lançado antes de uma conferência internacional sobre a Aids a ser realizada de 3 a 8 de agosto, na Cidade do México. O Blog Saúde & Sexo estará presente à conferência.
_

Mas a Aids ainda cresce em países como a China, a Indonésia, o Quênia, Moçambique, Papua Nova Guiné, a Rússia, a Ucrânia e o Vietnã. As contaminações pelo HIV também estão aumentando em países como a Alemanha, a Grã-Bretanha e a Austrália.
"Os avanços na preservação de vidas ao evitar novas contaminações e fornecer tratamento para os portadores do HIV devem ser mantidos no longo prazo", disse em um comunicado o diretor-executivo do Unaids, Peter Piot. "Os ganhos de curto prazo devem servir de plataforma para revigorar os esforços que combinam prevenção e tratamento e não para alimentar qualquer tipo de complacência." O relatório veio a público cinco dias depois de o Congresso dos EUA ter aprovado uma grande ampliação do programa de combate à Aids e a outras doenças na África e em outras partes do mundo. A medida agora precisa ser sancionada pelo presidente americano, George W. Bush.

Na América Latina, a estimativa do órgão é de que 140 mil novos casos de infecções com o vírus surgiram no ano passado, elevando a 1,7 milhão o número de soropositivos no subcontinente. Cerca de 63 mil pessoas morreram por doenças decorrentes da Aids no ano passado, na região, onde a transmissão do vírus ocorre principalmente em homens que fazem sexo com outros homens, garotos e garotas de programa e (em menor extensão) usuários de drogas injetáveis.

No Brasil, falta de prevenção e tratamento na Amazônia e no sertão

Na divulgação do relatório, o Ministério da Saúde estimou que 600 mil pessoas viviam com HIV no Brasil em 2007, das quais 180 mil já desenvolveram os sintomas e estão em tratamento com remédios anti-retrovirais. O Brasil registra 30 mil novos casos por ano, sendo cerca de um terço deles na população de 15 a 24 anos. Por ano, morrem 11 mil pessoas no país em decorrência da doença. A incidência da doença é estável no Brasil nesta década. A taxa de novas infecções pelo HIV caiu em vários países, mas essa queda foi contrabalançada globalmente pelo crescimento de novas infecções em outras regiões.

O coordenador do Unaids no Brasil, Pedro Chequer, disse que há avanços na situação mundial, mas enfatizou que é preciso garantir o acesso universal dos portadores do HIV a tratamento, assim como oferecer testes em larga escala. Ele disse que o uso de preservativos é a melhor saída para prevenir a doença e acrescentou que o Brasil serve de exemplo para o mundo.

A AIDS EM NÚMEROS

Número total de infectados por região:
África subsaariana : 22 milhões
Africa do Norte e Oriente Médio : 380 mil (sendo 320 mil só no Sudão)
Ásia do Sul e do Sudeste : 4,2 milhões
Ásia do leste : 740 mil
América Latina : 1,7 milhão
Caribe : 230 mil
América do Norte : 1,2 milhão
Europa Ocidental e Central : 730 mil
Europa Oriental e Ásia Central : 1,5 milhão
Oceânia : 74 mil
Novas infecções pelo HIV em 2007:
África subsaariana : 1,9 millhão
África do Norte e Oriente Médio : 40 mil
Ásia do Sul e do Sudeste : 330 mil
Ásia do Leste : 52 mil
América Latina : 140 mil
Caribe : 20 mil
América do Norte : 54 mil
Europa Ocidental e Central : 27 mil
Europa Oriental e Ásia Central : 110 mil
Oceânia : 13 mil

Fonte: O Globo Online / Agências Internacionais

quinta-feira, 24 de julho de 2008

NÚMERO DE JOVENS GAYS MASCULINOS COM HIV CRESCE 70,5%

Entre a população de 13 a 19 anos, há 10 mulheres infectadas para cada 6 rapazes portadores de HIV

O número de jovens homo e bissexuais masculinos com HIV no País aumentou 70,5% em uma década, revelou o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Em 1996, homossexuais e bissexuais masculinos representavam 24,1% do total de casos da doença entre 13 e 24 anos. Em 2006, a proporção saltou para 41,1% dos casos na mesma faixa etária. Entre heterossexuais, a proporção também aumentou neste período, mas numa velocidade menor, 51,6%.
_
O documento mostra ainda que, entre jovens, o grupo feminino está mais vulnerável à epidemia. Na faixa etária de 13 a 19 anos, há hoje dez mulheres infectadas para cada seis homens. Algo bem diferente do que ocorria em 1985, quando eram contabilizados 14 casos no grupo masculino para cada caso feminino.
_
As duas tendências preocupantes reveladas pelo boletim têm em sua origem um problema comum: dificuldade no acesso a serviços de saúde e resistências culturais. “Meninas sentem-se inibidas em recorrer a postos de coleta de preservativos. O mesmo ocorre com jovens gays, que temem a discriminação”, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão. No caso de jovens gays, há um problema adicional, vivido também na Alemanha e em alguns estados americanos. Esta geração cresceu longe do horror que a doença provocava no início da epidemia. Agora, a aids é vista como um problema crônico, o que, em parte, acaba abrindo brechas para que a prevenção seja mais “frouxa”.
_
Diante da tendência registrada entre bissexuais homens e homossexuais, o Programa Nacional de DST-Aids, em conjunto com a sociedade civil, desenvolveu um conjunto de ações. A estratégia tem como principal objetivo reduzir a homofobia entre grupos de jovens, ampliar a consciência sobre a necessidade de proteção e do uso de preservativos. Entre homossexuais e bissexuais de faixas etárias mais altas, o número de casos novos está caindo. Justamente por isso, a média de casos de aids entre homo/bissexuais mantém-se estável.
_
EM QUEDA - O boletim aponta ainda uma tendência de queda no número de casos de aids no Brasil. Em 2006, foram registrados 32.628 casos novos da infecção. Em 2002, haviam sido notificados 38.816 novos pacientes. “Mas é cedo para falar que o número de casos está caindo. Para isso, precisamos esperar pelo menos mais dois anos”, afirmou.
_
A cautela se explica. A epidemia hoje está pulverizada pelo País, 86% dos municípios brasileiros têm casos registrados da doença. “Com a interiorização, há maior risco de a notificação dos casos ser mais lenta”, observou. A análise dos dados mostra que o número de casos da doença permanece estável nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já nas regiões Norte e Nordeste, a epidemia apresenta um ritmo crescente.
_
A diferença também é notada nas taxas de mortalidade. Regiões Norte e Nordeste apresentam números mais elevados. Para Mariangela, isso demonstra deficiências nos sistemas de saúde dessas duas regiões. “É preciso melhorar principalmente o diagnóstico precoce e o início do tratamento”, observou. O trabalho mostra, por exemplo que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com aids no Norte morreram um ano depois da descoberta da doença. No Sudeste, 95% das pessoas com aids continuam vivas cinco anos depois do diagnóstico.
_
O documento também indica a redução dos casos da doença entre usuários de drogas injetáveis. Para Mariangela, essa redução é fruto da combinação de três fatores: eficácia do programa de redução de danos - que distribui seringas para usuários -, a morte de parte dos pacientes dependentes de drogas injetáveis e, também, a mudança do perfil do uso de drogas no País. “O uso de crack agora é muito mais intenso do que o de drogas injetáveis”, observa.
_
Atualmente, a aids atinge 0,5% da população brasileira entre 15 e 49 anos. Apesar da distribuição de medicamentos anti-retrovirais, as taxas de mortalidade são estáveis: 5,1 por 100 mil habitantes. “A terapia aumenta a expectativa de vida dos pacientes. Mas aqueles que já estão em tratamento há mais tempo podem apresentar resistência aos remédios”, explicou.
Por: Ligia Tormenti
Fonte: O Estado de São Paulo

quinta-feira, 17 de julho de 2008

JOVENS GAYS NÃO PROCURAM MÉDICO POR MEDO DE PRECONCEITO

O medo do preconceito e da discriminação faz com que os adolescentes gays de São Paulo evitem ao máximo procurar unidades estaduais de saúde para acompanhamento médico. Pelo menos é o que aponta pesquisa da Secretaria da Saúde realizada em maio com jovens que participaram da Parada do Orgulho – , Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais (LGBT), em São Paulo.
_
Durante o evento, foram entrevistados 576 adolescentes menores de 20 anos, dos quais 527 se declararam lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais. Desse total, apenas 41% disseram procurar assistência médica em locais considerados apropriados, como postos de saúde, clínicas ou hospitais. Já a maioria dos que buscam assistência, informou que a procura normalmente para casos urgentes e não participa de acompanhamento regular.
_
Dos entrevistados, 82% avaliaram os serviços de saúde como inadequados e excludentes. Disseram que gostariam de ser atendidos nos serviços sem sofrer preconceito. “Os adolescentes gays se sentem retraídos e resistem a buscar acompanhamento médico e psicológico em unidades de saúde. A rede precisa acolhê-los ao invés de inibi-los, pois a vulnerabilidade pode fazer com que o jovem adote comportamentos de risco”, afirma a coordenadora de Saúde do Adolescente de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti.
_
Política pública – A Secretaria da Saúde está desenvolvendo programa específico para atendimento de adolescentes LGBT em todo o Estado de São Paulo. O objetivo da iniciativa é preparar a rede para abordar o adolescente para que fique à vontade quando falar sobre sua conduta sexual ou afetiva, deixando de lado medos e vulnerabilidades que possam levá-lo a comportamentos de risco, como o sexo sem preservativo ou abuso de drogas e álcool, por exemplo.
_
Para isso, será realizada uma ampla capacitação de profissionais de saúde. A relação de confiança com os médicos também será fundamental para que o jovem relate qualquer problema de saúde que possa estar ligado à opção sexual, evitando o agravamento da doença. Na Casa do Adolescente de Pinheiros, serviço oferecido pela pasta da Saúde, os profissionais já são orientados a fazer uma abordagem diferenciada, que não intimide o jovem.
_
Uma das recomendações, por exemplo, é para que em vez de perguntar se o adolescente tem namorado ou namorada, indagar se está saindo com alguém ou “como vão os amores”. “Queremos trabalhar a auto-estima desse cidadão, assim como suas emoções e projetos pessoais, fatores determinantes do estilo de vida, que pode ser saudável ou não”, assegura Albertina Duarte.
_
Levantamento informal realizado na Casa do Adolescente constata que 10% dos jovens atendidos mensalmente na unidade têm conduta LGBT. Para Albertina, o número pode ser maior, pois muitos ainda escondem esta informação, por medo do preconceito. “Normalmente o adolescente assume sua condição após pelo menos três consultas”, informa.

Fonte: Secretaria da Saúde de São Paulo

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ANTI-RETROVIRAIS TRANSFORMAM AIDS EM DOENÇA CRÔNICA

WASHINGTON (AFP) — O grupo de soropositivos registrou um recuo bastante significativo em sua taxa de mortalidade, que seria comparável ao do restante da população, nos cinco anos que se seguem a sua infecção pelo vírus da Aids, desde o início dos tratamentos com anti-retrovirais, em 1996.
_
De acordo com um estudo divulgado no Journal of the American Medical Association (Jama), nos países industrializados, as pessoas que se tornaram soropositivas em conseqüência de contato sexual parecem ter um risco de mortalidade similar ao da população em geral nos cinco primeiros anos após a infecção. Seu risco de falecer cresce, porém, depois desse período, afirmam os autores do trabalho.
_
Vários estudos relataram a baixa espetacular da mortalidade entre as pessoas infectadas pelo vírus HIV desde a entrada, no mercado, em 1996, de terapias anti-retrovirais eficazes nos países industrializados.
_
Um grupo de pesquisadores, liderado pelo Dr Krishnan Bhaskaran, do "Medical Research Council Clinical Trials Unit", em Londres, analisou a evolução da mortalidade de 16.534 soropositivos comparativamente à da população em geral não-infectada, entre 1981 e 2006.
_
Nesse grupo de soropositivos observados por 6,3 anos (em média) após o início de sua infecção, a taxa de mortalidade excessiva em relação ao percentual normal para mil pessoas/ano (o número de pessoas no estudo multiplicado pelo número de anos de acompanhamento por indivíduo) era de 40,8/mil, antes do surgimento das terapias anti-retrovirais em 1996.
_
Depois, essa taxa de mortalidade diminuiu a cada ano até chegar a 6,1 (em mil) em 2004-2006, ou seja, um índice comparável ao de pessoas não-infectadas.

domingo, 22 de junho de 2008

“PREVENÇÃO É PARA TODOS E NÃO SÓ PARA PORTADORES DO HIV”, DIZ ATIVISTA HUGO HAGSTRÖM

“Agora aparece um projeto de lei penalizando quem transmitir o HIV e classificando como crime hediondo. Prevenção é para todos e não só para portadores do HIV”, protestou o ativista Hugo Hagström, do Grupo de Incentivo à Vida, sem citar o número do projeto. Esta foi uma das reclamações em depoimento realizado no fim da tarde desta quinta-feira (19) no IV Fórum Brasileiro de Aids e no II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo.
_
Hugo traçou um breve histórico sobre o ativismo, a epidemia de Aids brasileira e a chegada dos anti-retrovirais no Sistema Único de Saúde. “Foi necessário o movimento entrar na justiça para conseguir os remédios. Não foi uma iniciativa unilateral do governo como muitos acreditam”, disse.
_
Segundo o ativista, houve dois lados da chegada dos anti-retrovirais: um positivo e um negativo. “Foi ótimo saber que passaríamos de portadores de uma doença letal para uma doença crônica. Mas, isso materializou o HIV para quem necessita de privacidade e não quer revelar seu status”, explicou o ativista sobre o preconceito que um portador do vírus pode sofrer em ambientes de trabalho ou sociais ao ter que portar os medicamentos.
_
Para ele, o maior desafio é a adesão ao tratamento. “Ela é diária, não é uma etapa que quando vencida está eliminada”, ressaltou.
_
Outro problema apontado por ele é o emprego. “Se por um lado a Previdência Social diz que estamos aptos a trabalhar, por outro as empresas não querem nos contratar”, disse, afirmando que a testagem compulsória de HIV, sem consentimento do indivíduo, ‘rola solta’ no Exército, Marinha e Aeronáutica, além de outras empresas privadas.
_
No fim, o ativista também disse que falta humanização com os médicos e reclamou dos baixos salários que profissionais de saúde recebem no Sistema Único de Saúde.
_
Hepatite C - Já Jeová Fragoso, ativista da Hepatite C da ONG Grupo Esperança, contou que na sua instituição há três óbitos por mês por causa das hepatites. Depois, explicou os entraves técnicos e burocráticos na área dentro dos serviços de saúde, citando principalmente os problemas para realizar exames como o PCR. “Isso prejudica demais o indivíduo que descobre-se portador da hepatite C e é obrigado a seguir uma série de procedimentos. Muitos pensam, ‘estou bem, para quê o tratamento?’”, explicou, dizendo que a maioria abandona o tratamento. Também citou que uma das maneiras de ir atrás do direitos é entrar com ação na justiça.
_
No final da apresentação, disse que 40% dos soropositivos possuem infecção por hepatites B ou C. “O modelo de controle da Aids deve servir para a hepatite. Não devem existir bairrismos entre as duas patologias”, disse.
_
Rodrigo Vasconcellos, de Santos
Fonte: Agência de Notícias da Aids

domingo, 15 de junho de 2008

FIOCRUZ ANUNCIA ESTUDO DE PREVENÇÃO AO HIV

O Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - IPEC, da FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz, anunciou, esta semana, o início de uma nova pesquisa clínica de prevenção ao HIV, vírus que causa a AIDS. A pesquisa é chamada IPrEx - Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição.
_
A profilaxia pré-exposição (PrEP), terapia utilizada para prevenir mais do que tratar uma infecção ou doença, é uma estratégia sendo estudada pelo NIH (National Institutes of Health – Ministério da Saúde Americano) como parte dos esforços para desenvolver novos métodos de prevenção. Em estudos com macacos, o tratamento com drogas antiretrovirais para o HIV reduziu significativamente a contaminação entre macacos expostos à variedade símia do HIV. Em seres humanos, o HIV também se mostrou vulnerável a esse tipo de intervenção pré-contaminação. O tratamento antiretroviral durante o parto, de uma mãe infectada como HIV, reduz em aproximadamente 75% a probabilidade de contaminação do bebê. O tratamento com drogas anti-HIV também pode reduzir significativamente o risco de infecção quando realizado imediatamente após a exposição ao vírus.
_
O estudo IPrEx, uma Iniciativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) é um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (US NIH) e Fundação Bill & Melinda Gates e pode ajudar a prevenir a infecção pelo HIV em pessoas com alto risco de contaminação, quando combinado com a prática de sexo seguro, aconselhamento e o uso de preservativos. Este estudo está sendo conduzido por uma equipe de pesquisadores altamente qualificada no Brasil, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Tailândia e Equador.
_
O estudo incluirá 3000 homens saudáveis, sexualmente ativos e HIV-negativos, que fazem sexo com homens (HSH) e que têm alto risco de contaminação pelo HIV. Os voluntários em potencial serão submetidos a uma longa entrevista para assegurar que eles compreendam o estudo e que sua participação seja totalmente voluntária. Os voluntários serão cuidadosamente monitorados ao longo do período de 18 meses do estudo e por mais seis meses após o seu término.
_
Estima-se que os dados do estudo IPrEx estejam disponíveis em 2010.
_
Para melhores informações: www.iprex.com.br, entre em contato pelo email iprex@iprex.com.br ou ligue grátis para 0800-28-47739.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CONFERÊNCIA GLBT É A PRIMEIRA A RECEBER APOIO GOVERNAMENTAL

O presidente Lula segura a bandeira do arco-íris, que representa o movimento GLBT, ladeado da primeira-dama Marisa Letícia, e o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi

A Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), que começou ontem (5) à noite em Brasília, é a primeira do Brasil e do mundo realizada com apoio governamental. Cerca de mil pessoas debatem o tema direitos humanos e cidadania. A conferência foi precedida de encontros regionais que discutiram políticas públicas para o setor.
_
O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Perly Cipriano, disse que políticas públicas são necessárias para combater o preconceito e a discriminação tanto nas instituições quanto na sociedade. "O preconceito existe, é na família, na comunidade, no local de moradia. É preciso trabalhar em todas as áreas e também nas instituições. Os três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - têm que estar juntos nessa mesma política discutindo com a sociedade de maneira articulada”.
_
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Cipriano lembrou que quando um evento, como a conferência, tem o apoio do Estado, ele pode avançar e alcançar outros setores públicos ou da sociedade. “Na medida em que o Estado se propõe a discutir, debater e encaminhar políticas, há um aspecto positivo; naturalmente ainda tem preconceito. É preciso ter leis adequadas, o Judiciário todo ainda está acompanhando e ajudando nesse sentido.
_
O subsecretário disse ainda que já existe uma mobilização grande no Brasil em torno do tema. Ele citou como exemplo a parada gay de São Paulo, com a participação de 3,5 milhões de pessoas, considerada a maior manifestação cívica no país. "Ali estão gays, lésbicas, travestis e transexuais, mas ali são pais e mães heterossexuais. A humanidade tem algumas questões a serem resolvidas para que a gente consiga uma democracia plena, a homofobia (aversão ou discriminação contra homossexuais.) é extremamente grave e precisa ser combatida".
_
Sobre o caso do sargento preso depois de assumir a homossexualidade, Cipriano acredita que não existe nenhuma instituição homofóbica. “Não creio que exista uma instituição que seja homofóbica. Acho que é preciso conhecer de perto esses acontecimentos e trabalhar muito, é fundamental que se tenha o diálogo, não se combate intolerância com intolerância. No Brasil, há muito violência contra homossexuais, muitas vezes de pessoas com as quais eles convivem."
_
O conjunto de sugestões aprovadas na conferência deve ser incluída no Plano Nacional de Cidadania da GLBT. “ Isso se dará se a sociedade estiver mobilizada. É isso que permite ter avanço e consolidar políticas. O Brasil já avançou muito, mas não podemos ter a visão de que está tudo resolvido.Essa conferência vai se refletir em todo o mundo. Muitos países estão aqui como observadores."
_
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. A uma platéia formada por homossexuais, o presidente fez uma revelação sobre as suas viagem oficiais pelo mundo. "Ao longo da minha vida, eu conheci figuras muito importantes no Planeta, que não têm coragem de assumir o homossexualismo no seu país", disse.
_
Lula: 'Conheço figuras importantes que não assumem o homessexualismo'
"Dá a impressão de que não existe, porque as pessoas sempre pensam: “no meu país não tem isso, na minha casa não tem aquilo, eu nunca vou pegar isso, eu nunca vou pegar aquilo”. Nós estamos sempre transferindo para os outros quando, na verdade, seria tão mais simples e o mundo seria tão mais alegre, se nós fôssemos menos rígidos com os tabus que foram colocados no nosso caminho ao longo da nossa história", emendou.
_
"Conheço o preconceito nas minhas entranhas"
_
Lula disse ainda que conhece o preconceito nas entranhas e defendeu a criação de um Dia de Combate à Hipocrisia: "Sabem por que é preciso criar o Dia do Combate à Hipocrisia? Porque quando se trata de preconceitos, eu o conheço nas minhas entranhas, eu sei o que é preconceito. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano. É uma doença que a gente não combate apenas com leis. A lei ajuda, a Constituição ajuda, montar conselhos ajuda, tudo ajuda, mas é um processo cultural".
_
O presidente não escondeu, porém, o desconforto de colocar na cabeça um boné do movimento gay, oferecido pelo travesti Fernando Bevenute.
_
Fonte: Jornais O Globo / O Dia - RJ
Foto: Agência Brasil